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A insulina é o hormônio que permite que a glicose entre nas células para gerar energia. No diabetes mellitus, o corpo não produz insulina suficiente ou não responde bem a ela. A glicose se acumula no sangue e escapa pela urina, levando água junto, enquanto as células "passam fome".
Cão e gato: diferenças importantes
| Cães | Gatos | |
|---|---|---|
| Tipo mais comum | Falta de produção de insulina, parecido com o tipo 1 humano | Resistência à insulina, parecido com o tipo 2 humano |
| Fatores de risco | Idade, raças (Poodle, Schnauzer, Samoieda e outras), pancreatite, cadelas não castradas | Obesidade, sedentarismo, idade, machos, uso de alguns medicamentos |
| Insulina | Em geral por toda a vida | Pode ser temporária: remissão é possível |
| Complicação típica | Catarata | Fraqueza das patas traseiras (anda apoiando os "calcanhares") |
A obesidade é o principal fator de risco que dá para evitar nos gatos: gatos obesos têm um risco cerca de 4 vezes maior de diabetes. Veja o guia de obesidade em cães e gatos.
Sinais de alerta
- Bebe muito mais água e faz muito mais xixi
- Come muito e, mesmo assim, emagrece
- Cansaço, menos disposição
- Pelo opaco e sem brilho
- Cães: olhos esbranquiçados (catarata), que pode surgir em poucas semanas
- Gatos: andar apoiando os "calcanhares" das patas traseiras
Em cães diabéticos, a catarata é muito frequente: em um estudo, cerca de 80% desenvolveram catarata em até 16 meses após o diagnóstico.
Como é o diagnóstico
- Glicose no sangue e na urina, com o animal em jejum ou não, conforme orientação.
- Frutosamina, que mostra a média da glicose nas últimas semanas e ajuda a diferenciar o diabetes do aumento de glicose por estresse, comum em gatos na clínica.
- Exames complementares: hemograma, bioquímica, exame de urina com cultura (infecção urinária é comum em diabéticos) e, às vezes, ultrassonografia para avaliar o pâncreas.
O tratamento: quatro pilares
1. Insulina
- Em geral duas aplicações por dia, junto com as refeições, por via subcutânea.
- A dose é ajustada pelo veterinário com base na curva de glicose e nos sinais.
- Guarde a insulina conforme a orientação do fabricante, normalmente na geladeira, sem congelar.
- Use sempre a seringa própria para a concentração da insulina prescrita.
2. Alimentação
- Gatos: dieta rica em proteína e pobre em carboidratos, que ajuda no controle e aumenta as chances de remissão.
- Cães: alimentação consistente, com quantidade e horários fixos; dietas com mais fibra ajudam muitos cães.
- Peso adequado: emagrecer aos poucos os animais acima do peso, com acompanhamento. Gato nunca pode fazer jejum para emagrecer.
- Petiscos só os combinados, sempre nos mesmos horários.
3. Rotina
- Refeições e insulina nos mesmos horários todos os dias.
- Exercício regular e moderado, sem grandes variações.
- Cadelas: a castração é recomendada, porque os hormônios do cio atrapalham a insulina. Veja o guia de castração.
4. Monitoração
- Observe diariamente a água, o xixi, o apetite e o peso.
- Curvas de glicose, na clínica ou em casa com glicosímetro ou sensor, para ajustar a dose.
- Revisões periódicas com exames.
Hipoglicemia: saiba reconhecer
Excesso de insulina, dose aplicada duas vezes, animal que não comeu ou vomitou depois da aplicação podem baixar demais a glicose.
Mitos e verdades
- "Diabético não pode comer nada gostoso." Pode, com alimentação planejada e consistente.
- "Se melhorou, dá para parar a insulina." Nunca por conta própria. Em gatos, a remissão é avaliada com exames.
- "Insulina engorda e faz mal." A insulina na dose certa devolve energia ao corpo e controla os sinais.
- "Diabetes é sentença de morte." Mito: com tratamento, muitos animais vivem bem por anos.
Acompanhamento na Bichos & Cia, em Ubá
Na Bichos & Cia, o diagnóstico do diabetes começa na consulta e nos exames laboratoriais. Ensinamos a aplicação da insulina, montamos a rotina de alimentação e acompanhamos as curvas de glicose. Conheça as consultas e a consulta para gatos. Veja também os guias de DTUIF e de doença renal crônica em gatos.
Referências
- Behrend E, Holford A, Lathan P, Rucinsky R, Schulman R. 2018 AAHA diabetes management guidelines for dogs and cats. Journal of the American Animal Hospital Association. 2018;54(1):1-21.
- Sparkes AH, Cannon M, Church D, et al. ISFM consensus guidelines on the practical management of diabetes mellitus in cats. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2015;17(3):235-250.
- Beam S, Correa MT, Davidson MG. A retrospective-cohort study on the development of cataracts in dogs with diabetes mellitus: 200 cases. Veterinary Ophthalmology. 1999;2(3):169-172.
- Scarlett JM, Donoghue S. Associations between body condition and disease in cats. Journal of the American Veterinary Medical Association. 1998;212(11):1725-1731.




