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Os rins filtram o sangue, eliminam toxinas, controlam a água e os sais do corpo, ajudam a regular a pressão arterial e produzem o hormônio que estimula a formação de glóbulos vermelhos. Quando eles perdem função aos poucos, ao longo de meses ou anos, falamos em doença renal crônica.
Nos gatos, ela é extremamente comum com a idade. Um estudo com gatos escolhidos ao acaso encontrou sinais de doença renal em cerca de 4 em cada 10 gatos de até 15 anos, muitas vezes em estágios iniciais e sem sintomas, e em 8 de cada 10 gatos com mais de 15 anos. Como os rins têm muita reserva, os sinais só aparecem quando grande parte da função já foi perdida. Por isso os exames de rotina são tão importantes.
Por que acontece
Em muitos gatos, não há uma causa única identificável: é um desgaste progressivo, com inflamação e cicatrizes nos rins. Algumas causas e fatores conhecidos:
- Idade, o principal fator.
- Doença policística renal, hereditária em Persas, Exóticos e raças relacionadas.
- Infecções, cálculos e obstruções do trato urinário.
- Lesões agudas anteriores, como intoxicação por lírios (todas as partes da planta são extremamente tóxicas para gatos), anti-inflamatórios e alguns medicamentos humanos.
- Doença periodontal e outras inflamações crônicas foram associadas a maior risco em estudos. Veja o guia de doença periodontal.
Sinais de alerta
| Sinais iniciais | Sinais de doença avançada |
|---|---|
| Bebe mais água, procura torneiras e vasos | Vômitos frequentes, náusea (lambe os lábios, baba) |
| Faz mais xixi, torrões maiores na areia | Recusa de comida, emagrecimento acentuado |
| Emagrece aos poucos, perde massa muscular nas costas | Mau hálito com cheiro de amônia, feridas na boca |
| Pelo opaco, sem brilho | Fraqueza, desidratação, gengivas pálidas (anemia) |
| Come menos, fica mais seletivo | Cegueira súbita ou pupilas dilatadas (pressão alta) |
Como é o diagnóstico
- Exames de sangue: creatinina e SDMA, que mostram a capacidade de filtração dos rins, além de fósforo, potássio, hemograma e outros valores.
- Exame de urina: a densidade da urina (urina diluída é um sinal precoce), presença de proteína, infecção e cristais.
- Relação proteína/creatinina na urina (UPC): mede a perda de proteína pelos rins, que piora o prognóstico.
- Pressão arterial: medida com aparelho próprio, com o gato calmo.
- Ultrassonografia: avalia tamanho, forma e estrutura dos rins, cálculos e cistos.
- Hormônio da tireoide (T4) em gatos mais velhos: o hipertireoidismo é comum e pode mascarar a doença renal. O diabetes também aumenta a sede e deve ser descartado.
Os estágios da doença (IRIS)
A Sociedade Internacional de Interesse Renal (IRIS) classifica a DRC em quatro estágios, com base na creatinina e no SDMA, em exames repetidos com o gato estável e hidratado.
| Estágio | Creatinina (mg/dL) | SDMA (µg/dL) | Como o gato costuma estar |
|---|---|---|---|
| 1 | Menor que 1,6 | Menor que 18 | Sem sinais; alterações na urina ou nos exames de imagem |
| 2 | 1,6 a 2,8 | 18 a 25 | Sinais leves ou nenhum; sede aumentada |
| 3 | 2,9 a 5,0 | 26 a 38 | Sinais evidentes: emagrecimento, vômitos, apetite irregular |
| 4 | Maior que 5,0 | Maior que 38 | Doença avançada, maior risco de crises |
Além do estágio, o veterinário classifica a proteína na urina e a pressão arterial, porque ambas influenciam o tratamento e a evolução.
Tratamento: o que realmente faz diferença
O tratamento é ajustado ao estágio e aos problemas de cada gato.
| Medida | Por quê |
|---|---|
| Dieta renal | Menos fósforo e proteína de alta qualidade na medida certa; estudos mostram menos crises e vida mais longa |
| Hidratação | Rins doentes perdem água; alimento úmido, fontes e, quando indicado, soro subcutâneo |
| Controle do fósforo | Quelantes de fósforo junto com a comida, quando a dieta não basta |
| Controle da pressão | Remédios para pressão alta protegem olhos, coração, cérebro e rins |
| Controle da proteína na urina | Medicamentos específicos quando a perda é significativa |
| Náusea e apetite | Remédios contra náusea e estimulantes de apetite: gato que come vive melhor |
| Anemia e potássio | Suplementação e tratamento específico quando necessários |
A dieta renal
As dietas renais têm menos fósforo, quantidade controlada de proteína de boa qualidade, mais ômega-3 e ajustes de sais. Em um estudo controlado, gatos nos estágios 2 e 3 alimentados com dieta renal tiveram menos crises urêmicas e menos mortes por causa renal do que os que continuaram com a ração de manutenção.
Dicas para a transição:
- Troque aos poucos, em 2 a 4 semanas, misturando cada vez mais a nova dieta.
- Ofereça as versões úmida e seca; muitos gatos preferem uma delas.
- Aqueça levemente o alimento úmido para liberar o aroma.
- Não faça a troca quando o gato estiver enjoado ou internado: ele pode associar a comida nova ao mal-estar e rejeitá-la depois.
Mais água, todos os dias
- Alimento úmido (sachês e latas) aumenta muito a ingestão de água.
- Fontes de água: muitos gatos bebem mais água corrente.
- Vários potes pela casa, longe da comida e da caixa de areia, largos e rasos, trocados diariamente.
- Soro subcutâneo em casa, nos estágios em que o veterinário indicar, com treinamento da equipe.
Acompanhamento
Gatos com DRC precisam de reavaliações periódicas: a cada 1 a 6 meses, conforme o estágio e a estabilidade. Anote em casa:
- Peso, uma vez por semana, se possível.
- Apetite e episódios de vômito.
- Quantidade de xixi (tamanho e número de torrões na areia).
- Comportamento: esconder-se, dormir mais, deixar de subir em lugares altos.
Check-up do gato idoso
Gatos escondem doenças muito bem. Por isso o check-up é a melhor forma de encontrar a DRC nos estágios iniciais, quando o tratamento rende mais:
| Idade | Frequência sugerida |
|---|---|
| 7 a 10 anos | Consulta e exames de sangue e urina uma vez por ano |
| Mais de 10 anos | A cada 6 meses, com pressão arterial |
| Persa, Exótico e raças relacionadas | Ultrassonografia para doença policística, conforme orientação |
Mitos e verdades
- "Gato velho bebe mais água, é normal." Mito. Aumento da sede sempre merece investigação.
- "Se o exame de sangue está normal, os rins estão ótimos." Nem sempre. A urina diluída e o SDMA podem mostrar a doença antes da creatinina.
- "Ração renal é para o fim da vida." Mito. Ela é indicada a partir do estágio 2, quando traz mais benefício.
- "Gato com doença renal tem pouco tempo." Muitos vivem anos, principalmente com diagnóstico precoce.
- "Proteína faz mal ao rim, então corto a carne." Cortes por conta própria podem causar perda de músculo. A dieta renal já traz o equilíbrio certo.
Medicina felina na Bichos & Cia, em Ubá
Na Bichos & Cia, a consulta para gatos é feita com manejo cuidadoso para reduzir o estresse. Para o gato com suspeita ou diagnóstico de doença renal, oferecemos exames laboratoriais, ultrassonografia, medida de pressão e acompanhamento contínuo. No Pet Shop você encontra dietas renais, alimentos úmidos e fontes de água, com envio para todo o Brasil. Atendemos gatos de Ubá e das cidades da região.
Referências
- International Renal Interest Society (IRIS). IRIS staging of CKD (modified 2023). iris-kidney.com
- Sparkes AH, Caney S, Chalhoub S, et al. ISFM consensus guidelines on the diagnosis and management of feline chronic kidney disease. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2016;18(3):219-239.
- Marino CL, Lascelles BDX, Vaden SL, Gruen ME, Marks SL. Prevalence and classification of chronic kidney disease in cats randomly selected from four age groups and in cats recruited for degenerative joint disease studies. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2014;16(6):465-472.
- Ross SJ, Osborne CA, Kirk CA, et al. Clinical evaluation of dietary modification for treatment of spontaneous chronic kidney disease in cats. Journal of the American Veterinary Medical Association. 2006;229(6):949-957.
- Elliott J, Rawlings JM, Markwell PJ, Barber PJ. Survival of cats with naturally occurring chronic renal failure: effect of dietary management. Journal of Small Animal Practice. 2000;41(6):235-242.
- Taylor SS, Sparkes AH, Briscoe K, et al. ISFM consensus guidelines on the diagnosis and management of hypertension in cats. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2017;19(3):288-303.




