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A FIV (vírus da imunodeficiência felina, às vezes chamada de "aids felina") e a FeLV (vírus da leucemia felina) são as retroviroses dos gatos. Uma vez infectado, o gato carrega o vírus pelo resto da vida, mas isso não significa, necessariamente, uma vida curta ou sem qualidade. Estudos brasileiros encontram a FeLV com frequência considerável, o que torna o teste e a prevenção especialmente importantes por aqui.
FIV e FeLV lado a lado
| FIV | FeLV | |
|---|---|---|
| Transmissão principal | Mordidas profundas em brigas | Saliva: lambidas, potes e caixas compartilhados; da mãe para os filhotes |
| Quem tem mais risco | Machos não castrados que saem de casa | Filhotes e gatos que convivem com gatos infectados |
| Evolução | Geralmente lenta; muitos anos sem sinais | Variável; a forma progressiva é mais agressiva |
| Problemas associados | Infecções repetidas, gengivite, emagrecimento | Anemia, linfoma, infecções, problemas reprodutivos |
| Vacina | Não disponível no Brasil | Sim, na V5, após teste negativo |
As formas da FeLV
Depois do contato com a FeLV, a infecção pode seguir caminhos diferentes:
- Abortiva: o organismo elimina o vírus.
- Regressiva: o vírus fica "escondido" no organismo, com poucos sinais, mas pode reativar em situações de estresse ou doença.
- Progressiva: o vírus se multiplica e é eliminado na saliva; é a forma com mais risco de doenças graves.
Por isso, alguns resultados precisam ser repetidos e confirmados com outros exames.
Sinais que podem aparecer
- Gengivite e feridas na boca que não melhoram
- Infecções que se repetem (respiratórias, de pele, urinárias)
- Emagrecimento, falta de apetite
- Febre, ínguas aumentadas
- Gengivas pálidas (anemia), principalmente na FeLV
- Diarreia crônica, alterações nos olhos
Muitos gatos infectados, principalmente com FIV, passam anos sem nenhum sinal. O teste é a única forma de saber.
Quando testar
- Ao adotar ou comprar um gato, antes de apresentá-lo aos outros.
- Antes da vacina contra FeLV.
- Quando o gato ficar doente, mesmo que já tenha sido testado.
- Depois de uma possível exposição (briga com gato desconhecido, fuga), repetindo o teste depois de algumas semanas, porque o resultado pode demorar a positivar.
Como é o teste
O teste rápido feito na clínica com uma pequena amostra de sangue detecta o antígeno da FeLV e os anticorpos contra a FIV. Resultados positivos, principalmente em gatos saudáveis, costumam ser confirmados com outro método, como o PCR.
Prevenção
- Teste todo gato novo antes do contato com os outros.
- Castração: reduz brigas e fugas. Veja o guia de castração.
- Vida dentro de casa, com telas em janelas e sacadas.
- Vacina contra FeLV (V5) para filhotes e gatos com risco, depois de teste negativo. Veja o guia de vacinas.
- Não compartilhe potes e caixas com gatos de situação desconhecida.
Cuidando de um gato positivo
- Consultas a cada 6 meses, com exame da boca, peso e exames de sangue e urina conforme orientação.
- Vida dentro de casa, para proteger o gato de infecções e evitar transmitir o vírus.
- Alimentação completa e balanceada; nada de carne crua, pelo risco de infecções.
- Vacinas e vermifugação em dia, conforme avaliação.
- Atenção precoce a qualquer sinal: infecções devem ser tratadas logo.
- Castração, para diminuir brigas e estresse.
Convivência com outros gatos
- FIV: em casas estáveis, sem brigas, a transmissão é incomum. Gatos positivos e negativos podem conviver com acompanhamento.
- FeLV: o risco de transmissão é maior. O ideal é separar gatos com a forma progressiva dos negativos, ou garantir que os negativos estejam vacinados, após avaliação.
Mitos e verdades
- "FIV é a aids e passa para pessoas." Mito. O vírus é exclusivo de felinos.
- "Gato positivo tem que ser sacrificado." Mito.
- "Teste negativo uma vez vale para sempre." Não: novas exposições exigem novo teste.
- "Vacina de FeLV pode ser dada sem teste." A recomendação é testar antes.
- "Gato de apartamento não precisa ser testado." Precisa, principalmente se veio da rua ou convive com outros gatos.
Medicina felina na Bichos & Cia, em Ubá
Na Bichos & Cia, o teste de FIV e FeLV é feito na consulta para gatos, com exames laboratoriais de confirmação quando necessários, e o plano de vacinas é ajustado ao resultado. Acompanhamos gatos positivos com revisões periódicas. Veja também os guias de DTUIF e doença renal crônica em gatos.
Referências
- Little S, Levy J, Hartmann K, et al. 2020 AAFP Feline Retrovirus Testing and Management Guidelines. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2020;22(1):5-30. PubMed
- Hartmann K, Hofmann-Lehmann R. What's new in feline leukemia virus infection. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice. 2020;50(5):1013-1036.
- Hosie MJ, Addie D, Belák S, et al. Feline immunodeficiency: ABCD guidelines on prevention and management. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2009;11(7):575-584.
- Lutz H, Addie D, Belák S, et al. Feline leukaemia: ABCD guidelines on prevention and management. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2009;11(7):565-574.
- Squires RA, Crawford C, Marcondes M, Whitley N. 2024 guidelines for the vaccination of dogs and cats (WSAVA). Journal of Small Animal Practice. 2024;65(5):277-316.




