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Medicina felina

FIV e FeLV em gatos: como se pega, teste, vacina e como viver bem com o diagnóstico

A FIV e a FeLV são vírus que afetam a imunidade dos gatos. Um teste rápido descobre, a FeLV tem vacina, e muitos gatos positivos vivem bem por anos. Entenda a diferença entre elas, quando testar e como cuidar.

FIV e FeLV em gatos: como se pega, teste, vacina e como viver bem com o diagnóstico
Neste artigo 7 tópicos
  1. FIV e FeLV lado a lado
  2. Sinais que podem aparecer
  3. Quando testar
  4. Prevenção
  5. Cuidando de um gato positivo
  6. Mitos e verdades
  7. Medicina felina na Bichos & Cia, em Ubá

A FIV (vírus da imunodeficiência felina, às vezes chamada de "aids felina") e a FeLV (vírus da leucemia felina) são as retroviroses dos gatos. Uma vez infectado, o gato carrega o vírus pelo resto da vida, mas isso não significa, necessariamente, uma vida curta ou sem qualidade. Estudos brasileiros encontram a FeLV com frequência considerável, o que torna o teste e a prevenção especialmente importantes por aqui.

FIV e FeLV lado a lado

Diferenças entre FIV e FeLV em gatos
Como se transmite, como evolui, teste e prevenção de cada vírus.
FIVFeLV
Transmissão principalMordidas profundas em brigasSaliva: lambidas, potes e caixas compartilhados; da mãe para os filhotes
Quem tem mais riscoMachos não castrados que saem de casaFilhotes e gatos que convivem com gatos infectados
EvoluçãoGeralmente lenta; muitos anos sem sinaisVariável; a forma progressiva é mais agressiva
Problemas associadosInfecções repetidas, gengivite, emagrecimentoAnemia, linfoma, infecções, problemas reprodutivos
VacinaNão disponível no BrasilSim, na V5, após teste negativo

As formas da FeLV

Depois do contato com a FeLV, a infecção pode seguir caminhos diferentes:

  • Abortiva: o organismo elimina o vírus.
  • Regressiva: o vírus fica "escondido" no organismo, com poucos sinais, mas pode reativar em situações de estresse ou doença.
  • Progressiva: o vírus se multiplica e é eliminado na saliva; é a forma com mais risco de doenças graves.

Por isso, alguns resultados precisam ser repetidos e confirmados com outros exames.

Sinais que podem aparecer

  • Gengivite e feridas na boca que não melhoram
  • Infecções que se repetem (respiratórias, de pele, urinárias)
  • Emagrecimento, falta de apetite
  • Febre, ínguas aumentadas
  • Gengivas pálidas (anemia), principalmente na FeLV
  • Diarreia crônica, alterações nos olhos

Muitos gatos infectados, principalmente com FIV, passam anos sem nenhum sinal. O teste é a única forma de saber.

Quando testar

  • Ao adotar ou comprar um gato, antes de apresentá-lo aos outros.
  • Antes da vacina contra FeLV.
  • Quando o gato ficar doente, mesmo que já tenha sido testado.
  • Depois de uma possível exposição (briga com gato desconhecido, fuga), repetindo o teste depois de algumas semanas, porque o resultado pode demorar a positivar.

Como é o teste

O teste rápido feito na clínica com uma pequena amostra de sangue detecta o antígeno da FeLV e os anticorpos contra a FIV. Resultados positivos, principalmente em gatos saudáveis, costumam ser confirmados com outro método, como o PCR.

Prevenção

  1. Teste todo gato novo antes do contato com os outros.
  2. Castração: reduz brigas e fugas. Veja o guia de castração.
  3. Vida dentro de casa, com telas em janelas e sacadas.
  4. Vacina contra FeLV (V5) para filhotes e gatos com risco, depois de teste negativo. Veja o guia de vacinas.
  5. Não compartilhe potes e caixas com gatos de situação desconhecida.

Cuidando de um gato positivo

  • Consultas a cada 6 meses, com exame da boca, peso e exames de sangue e urina conforme orientação.
  • Vida dentro de casa, para proteger o gato de infecções e evitar transmitir o vírus.
  • Alimentação completa e balanceada; nada de carne crua, pelo risco de infecções.
  • Vacinas e vermifugação em dia, conforme avaliação.
  • Atenção precoce a qualquer sinal: infecções devem ser tratadas logo.
  • Castração, para diminuir brigas e estresse.

Convivência com outros gatos

  • FIV: em casas estáveis, sem brigas, a transmissão é incomum. Gatos positivos e negativos podem conviver com acompanhamento.
  • FeLV: o risco de transmissão é maior. O ideal é separar gatos com a forma progressiva dos negativos, ou garantir que os negativos estejam vacinados, após avaliação.

Mitos e verdades

  • "FIV é a aids e passa para pessoas." Mito. O vírus é exclusivo de felinos.
  • "Gato positivo tem que ser sacrificado." Mito.
  • "Teste negativo uma vez vale para sempre." Não: novas exposições exigem novo teste.
  • "Vacina de FeLV pode ser dada sem teste." A recomendação é testar antes.
  • "Gato de apartamento não precisa ser testado." Precisa, principalmente se veio da rua ou convive com outros gatos.

Medicina felina na Bichos & Cia, em Ubá

Na Bichos & Cia, o teste de FIV e FeLV é feito na consulta para gatos, com exames laboratoriais de confirmação quando necessários, e o plano de vacinas é ajustado ao resultado. Acompanhamos gatos positivos com revisões periódicas. Veja também os guias de DTUIF e doença renal crônica em gatos.

Referências

  • Little S, Levy J, Hartmann K, et al. 2020 AAFP Feline Retrovirus Testing and Management Guidelines. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2020;22(1):5-30. PubMed
  • Hartmann K, Hofmann-Lehmann R. What's new in feline leukemia virus infection. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice. 2020;50(5):1013-1036.
  • Hosie MJ, Addie D, Belák S, et al. Feline immunodeficiency: ABCD guidelines on prevention and management. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2009;11(7):575-584.
  • Lutz H, Addie D, Belák S, et al. Feline leukaemia: ABCD guidelines on prevention and management. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2009;11(7):565-574.
  • Squires RA, Crawford C, Marcondes M, Whitley N. 2024 guidelines for the vaccination of dogs and cats (WSAVA). Journal of Small Animal Practice. 2024;65(5):277-316.
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Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre este assunto.

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FIV e FeLV passam para pessoas ou cães?

Não. São vírus exclusivos de felinos. Não há risco para pessoas, cães ou outros animais da casa que não sejam gatos.

Qual a diferença entre FIV e FeLV?

A FIV passa principalmente por mordidas profundas em brigas e costuma evoluir devagar. A FeLV passa pela saliva no convívio próximo (lambidas, potes compartilhados) e tende a ser mais agressiva, podendo causar anemia e linfoma.

Existe vacina?

Para a FeLV, sim: está na vacina V5, indicada para filhotes e gatos que saem de casa ou convivem com gatos de situação desconhecida, sempre depois de um teste negativo. Não há vacina para FIV disponível no Brasil.

Meu gato deu positivo. Ele vai morrer logo?

Não necessariamente. Muitos gatos com FIV vivem anos com boa qualidade de vida. Na FeLV, o prognóstico depende da forma da infecção. Acompanhamento regular faz muita diferença.

Quando devo testar meu gato?

Ao adotar ou comprar um gato, antes de apresentá-lo a outros gatos, antes da vacina de FeLV, quando ficar doente e depois de uma possível exposição, como uma briga com gato desconhecido.

Filhote deu positivo para FIV. É certeza?

Não. Filhotes com menos de 6 meses podem ter anticorpos recebidos da mãe e dar positivo sem estar infectados. O teste deve ser repetido depois dos 6 meses.

Gato com FIV pode morar com gato negativo?

Em casas estáveis, sem brigas, a transmissão da FIV é incomum. Com a FeLV o risco é maior; o ideal é separar ou garantir que os negativos estejam vacinados, conforme orientação.

Castrar ajuda a prevenir?

Sim. A castração reduz fugas e brigas, principal forma de transmissão da FIV, e diminui o contato com gatos de rua.

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