Neste artigo 10 tópicos
As vacinas estão entre as ferramentas mais eficazes da medicina veterinária. Doenças como cinomose, parvovirose e panleucopenia, que ainda matam muitos filhotes no Brasil, podem ser evitadas com um calendário bem feito.
Em 2024, o grupo de vacinação da Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA) atualizou suas diretrizes. O princípio é simples: vacinar todos os animais contra as doenças essenciais e ajustar as demais vacinas ao risco de cada um.
Do que as vacinas protegem
| Doença | Espécie | Por que importa |
|---|---|---|
| Cinomose | Cão | Vírus que ataca intestino, pulmões e sistema nervoso; pode deixar sequelas. Veja o guia de cinomose |
| Parvovirose | Cão | Vômitos e diarreia com sangue; grave em filhotes. Veja o guia de parvovirose |
| Hepatite infecciosa (adenovírus) | Cão | Afeta fígado, rins e olhos |
| Leptospirose | Cão | Afeta rins e fígado e passa para pessoas. Veja o guia de leptospirose |
| Panleucopenia | Gato | Parente do parvovírus; muito grave em filhotes |
| Rinotraqueíte e calicivirose | Gato | Gripe felina: espirros, feridas na boca, conjuntivite |
| Leucemia felina (FeLV) | Gato | Vírus que baixa a imunidade e pode causar câncer |
| Raiva | Cão e gato | Fatal e transmissível para pessoas |
Vacinas essenciais e vacinas conforme o risco
Cães
- Essenciais: cinomose, parvovirose e adenovírus (hepatite infecciosa), além da raiva, obrigatória na prática brasileira.
- Leptospirose: no Brasil está incluída nas vacinas polivalentes (V8 e V10) e é fortemente recomendada, pelo clima e pela convivência com roedores.
- Conforme o risco: tosse dos canis (para cães que frequentam creches, hotéis, banho e tosa e exposições), entre outras.
Gatos
- Essenciais: panleucopenia, rinotraqueíte (herpesvírus) e calicivirose, presentes nas vacinas V3, V4 e V5, além da raiva.
- FeLV (leucemia felina): incluída na V5, indicada para filhotes e para gatos que saem de casa ou convivem com gatos de situação desconhecida, depois de um teste negativo.
V8, V10, V3, V4 e V5 em uma tabela
| Vacina | Espécie | O que inclui |
|---|---|---|
| V8 | Cão | Cinomose, parvovirose, adenovírus, parainfluenza, coronavírus e leptospirose (menos sorovares) |
| V10 | Cão | O mesmo que a V8, com mais sorovares de leptospira |
| V3 | Gato | Panleucopenia, rinotraqueíte e calicivirose |
| V4 | Gato | V3 mais clamidiose |
| V5 | Gato | V4 mais leucemia felina (FeLV) |
Calendário do filhote
A imunidade que o filhote recebe da mãe pelo colostro protege nas primeiras semanas, mas também "neutraliza" a vacina. Como não dá para saber quando essa proteção acaba, o filhote recebe uma série de doses, com intervalo de 2 a 4 semanas, até 16 semanas de idade ou mais. A última dose é a que mais importa.
| Idade | Filhote de cão | Filhote de gato |
|---|---|---|
| 6 a 8 semanas | 1ª dose da polivalente (V8 ou V10) | 1ª dose da V3, V4 ou V5 |
| 9 a 12 semanas | 2ª dose | 2ª dose |
| 12 a 16 semanas | 3ª dose e antirrábica | 3ª dose e antirrábica |
| 16 a 20 semanas | Dose final, se indicada | Dose final, se indicada |
| 6 meses a 1 ano | Reforço | Reforço |
| Adulto | Reforços conforme orientação | Reforços conforme orientação |
Adotei um adulto sem histórico de vacinas
Animais adultos sem carteira de vacinação costumam receber duas doses das vacinas polivalentes, com intervalo de 2 a 4 semanas, e a antirrábica. Antes disso, o exame clínico e, nos gatos, o teste de FeLV e FIV ajudam a definir o plano.
Reforços em adultos
- Leptospirose: a proteção dura cerca de um ano, então o reforço é anual.
- Raiva: reforço conforme a vacina e a legislação, em geral anual no Brasil.
- Vacinas virais essenciais: em adultos, várias protegem por anos. O veterinário pode ajustar o intervalo e, em alguns casos, usar exames de anticorpos para decidir.
Por isso a visita anual continua importante, mesmo quando nem toda vacina vence todo ano: é quando o animal passa por exame completo, com avaliação de peso, dentes, pele, coração e articulações.
Vacina atrasada
Atrasou o reforço? Não entre em pânico, mas não deixe para depois. Em muitos adultos, uma dose restabelece a proteção das vacinas virais. Na leptospirose, atrasos longos podem exigir duas doses. No filhote, uma série interrompida costuma ser retomada, sem precisar recomeçar do zero. O veterinário decide pela carteira de vacinação.
Quando o filhote pode sair para passear
O parvovírus resiste por meses no ambiente, principalmente em calçadas, praças e locais com muitos cães. O mais seguro é esperar cerca de 1 a 2 semanas depois da última dose da série, com liberação do veterinário.
Mas a socialização não pode esperar. Entre 3 e 14 semanas o filhote aprende a lidar com pessoas, sons e outros animais. Dá para fazer isso com segurança:
- passeios no colo ou em carrinho;
- visitas de pessoas em casa;
- contato com cães adultos vacinados e saudáveis;
- aulas para filhotes em locais higienizados.
Reações às vacinas
A maioria dos animais não tem reação nenhuma. Quando acontece, costuma ser leve: sono, dor no local e febre baixa por um ou dois dias.
Nos gatos, as diretrizes recomendam aplicar as vacinas em locais específicos das pernas ou da cauda e registrar o local, como cuidado contra uma reação rara, o sarcoma de aplicação. Um caroço no local que persiste por mais de 3 meses, passa de 2 cm ou cresce um mês depois da vacina deve ser avaliado.
Mitos e verdades
- "Vacina de filhote protege para a vida toda." Mito. Os reforços são necessários.
- "Gato de apartamento não precisa de vacina." Mito. Vírus entram pelos sapatos, e a raiva é recomendada para todos.
- "Vacinar muito faz mal." Vacinas são seguras; o que as diretrizes fazem é ajustar os intervalos para não vacinar além do necessário.
- "Uma dose de filhote basta." Mito. A imunidade da mãe pode anular as primeiras doses.
- "Animal vacinado não pega nada." A vacina reduz muito o risco e a gravidade, mas nenhuma vacina é 100%. Higiene e prevenção continuam importantes.
Vermifugação e antipulgas andam junto
Vacina funciona melhor em animal saudável. Filhotes costumam ser vermifugados a cada 2 semanas até cerca de 2 a 3 meses de idade e depois conforme orientação, e o controle de pulgas e carrapatos deve ser contínuo. Veja o guia de antipulgas e carrapaticidas.
Campanhas de raiva
A raiva é uma doença fatal, que também atinge pessoas. Participar das campanhas públicas de vacinação antirrábica é uma forma de proteção coletiva. Animais vacinados na clínica recebem o registro na carteira de vacinação, útil também para viagens e hospedagens.
Vacinação na Bichos & Cia, em Ubá
Na Bichos & Cia, a vacinação começa com exame clínico, e o calendário é montado para cada filhote ou adulto. Os lembretes de reforço podem ser acompanhados pelo Portal do Tutor. Conheça os serviços de vacinação de filhotes e de vacinação e vermifugação. Recebemos tutores de Ubá e das cidades da região.
Referências
- Squires RA, Crawford C, Marcondes M, Whitley N. 2024 guidelines for the vaccination of dogs and cats, compiled by the Vaccination Guidelines Group (VGG) of the World Small Animal Veterinary Association (WSAVA). Journal of Small Animal Practice. 2024;65(5):277-316. PubMed
- Day MJ, Horzinek MC, Schultz RD, Squires RA. WSAVA guidelines for the vaccination of dogs and cats. Journal of Small Animal Practice. 2016;57(1):E1-E45.
- Ellis J, Marziani E, Aziz C, et al. 2022 AAHA Canine Vaccination Guidelines. Journal of the American Animal Hospital Association. 2022;58(5):213-230.
- Stone AES, Brummet GO, Carozza EM, et al. 2020 AAHA/AAFP Feline Vaccination Guidelines. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2020;22(9):813-830.
- Sykes JE, Francey T, Schuller S, et al. Updated ACVIM consensus statement on leptospirosis in dogs. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2023;37(6):1966-1982.




