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A leptospirose é uma infecção causada por bactérias do gênero Leptospira. Ela afeta cães, outros animais e pessoas, e pode causar lesão grave nos rins, no fígado e, em alguns casos, nos pulmões.
Em fevereiro de 2026, Ubá e outras cidades da Zona da Mata mineira enfrentaram enchentes históricas. Situações assim aumentam o risco de leptospirose para pessoas e animais, e esse risco volta a cada período de chuvas, que na nossa região vai de outubro a março. É o momento de revisar a vacina do seu cão e os cuidados em casa.
Como a leptospirose é transmitida
- Animais infectados, principalmente ratos, eliminam a bactéria na urina, muitas vezes sem adoecer.
- A bactéria sobrevive por semanas em água parada, lama e solo úmido.
- O cão se infecta ao entrar em contato com essa água ou solo pelas mucosas (boca, olhos, nariz) ou pela pele com feridas, ou ao beber água contaminada.
- Enchentes espalham a urina dos ratos por ruas, quintais e casas.
- Cães também podem se infectar por contato com a urina de outros cães doentes, e por mordidas ou ingestão de roedores.
Quem tem mais risco
| Situação | Por quê |
|---|---|
| Cães de sítio, fazenda e quintal com terra | Contato com roedores e animais de produção |
| Cães que nadam em rios, lagoas e córregos | Água doce parada ou de correnteza lenta |
| Casas que alagaram ou ficam perto de córregos | Urina de ratos espalhada pela água |
| Ração e lixo expostos | Atraem ratos para perto do cão |
| Vacina atrasada | A proteção dura cerca de um ano |
Cães de apartamento também podem se infectar: ratos circulam em áreas urbanas, e basta uma poça contaminada no passeio.
Sinais no cão
Os sinais variam de leves a muito graves, e muitas vezes começam de forma pouco específica:
| Sinais iniciais | Sinais de gravidade |
|---|---|
| Febre, apatia e falta de apetite | Olhos, gengivas e pele amarelados (icterícia) |
| Vômitos e diarreia | Xixi muito reduzido ou ausente |
| Dor muscular: reluta em se mexer, fica encurvado | Manchas roxas e sangramentos |
| Bebe e urina muito mais que o normal | Respiração difícil ou tosse com sangue |
| Olhos vermelhos | Fraqueza intensa, desidratação |
A forma pulmonar, com sangramento nos pulmões, é a mais grave e exige cuidados intensivos imediatos.
Diagnóstico
- Exames de sangue e de urina: mostram o funcionamento dos rins e do fígado e alterações como queda de plaquetas.
- PCR no sangue e na urina: detecta a bactéria, principalmente no início da doença.
- Sorologia: detecta anticorpos; muitas vezes é repetida após 1 a 2 semanas para confirmar.
- Exames de imagem: ultrassonografia do abdômen e radiografia do tórax ajudam a avaliar rins, fígado e pulmões.
Como os resultados podem demorar, o veterinário costuma iniciar o tratamento na suspeita, sem esperar a confirmação.
Tratamento
O tratamento combina:
- antibióticos específicos, primeiro para controlar a infecção e depois para eliminar a bactéria dos rins, evitando que o cão continue a transmiti-la;
- internação com fluidos na veia, controle de vômitos, dor e acompanhamento diário da função dos rins e da produção de urina;
- cuidados intensivos nos casos graves.
Durante o tratamento, o cão fica isolado e a equipe usa equipamentos de proteção. Em casa, siga as orientações de limpeza e higiene. A maioria dos cães tratados a tempo sobrevive, mas alguns ficam com os rins mais frágeis e precisam de acompanhamento.
Prevenção
Vacina
As vacinas polivalentes usadas no Brasil (V8 e V10) incluem leptospirose. A V10 protege contra mais tipos de leptospira. O esquema inicial tem duas doses com intervalo de 2 a 4 semanas, e a proteção dura cerca de um ano, por isso o reforço é anual. Veja o guia de vacinas.
Em casa e no quintal
- Controle de roedores: guarde ração em recipientes fechados, não deixe comida exposta à noite, recolha o lixo e entulhos.
- Não deixe o cão beber água de poças, córregos e enxurradas, nem brincar em lama.
- Recolha os potes de comida e água à noite, quando os ratos circulam.
- Se usar raticidas, deixe-os em locais totalmente inacessíveis aos animais e crianças: o envenenamento por raticida também é uma emergência veterinária.
Depois de um alagamento
- Mantenha cães e gatos em local seco e limpo até o fim da limpeza.
- Use botas e luvas e retire a lama e o entulho.
- Lave pisos, paredes, casinhas e potes com água e sabão.
- Desinfete com água sanitária diluída conforme orientação do Ministério da Saúde, deixando agir antes de enxaguar.
- Descarte ração que teve contato com a água da enchente.
- Fique atento ao cão nas duas semanas seguintes: febre, apatia ou vômitos são motivo para consulta.
Para as pessoas da casa
Quem teve contato com água de enchente ou lama e apresenta febre, dor de cabeça e dor no corpo, principalmente nas panturrilhas, deve procurar atendimento médico e informar o contato. Nos serviços de saúde, a leptospirose é uma doença de notificação obrigatória.
Mitos e verdades
- "Só cachorro de rua pega leptospirose." Mito. Qualquer cão exposto a água ou lama contaminada pode se infectar.
- "Cão vacinado nunca pega." A vacina protege muito, mas não contra todos os sorovares. Os cuidados continuam.
- "Leptospirose só acontece em enchente." As enchentes aumentam o risco, mas poças e quintais com ratos já bastam.
- "Se melhorou, pode parar o antibiótico." Mito. A segunda fase do tratamento elimina a bactéria dos rins.
Leptospirose na Bichos & Cia, em Ubá
Na Bichos & Cia fazemos a vacinação com calendário individual, o diagnóstico com exames de sangue e urina e o tratamento com internação quando necessário. Em casos suspeitos, procure nosso atendimento de urgências veterinárias. Fale com a equipe para conferir se a vacina do seu cão está em dia. Conheça o serviço de vacinação e vermifugação. Atendemos Ubá e as cidades vizinhas.
Referências
- Sykes JE, Francey T, Schuller S, et al. Updated ACVIM consensus statement on leptospirosis in dogs. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2023;37(6):1966-1982. doi:10.1111/jvim.16903
- Sykes JE, Hartmann K, Lunn KF, Moore GE, Stoddard RA, Goldstein RE. 2010 ACVIM small animal consensus statement on leptospirosis: diagnosis, epidemiology, treatment, and prevention. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2011;25(1):1-13.
- Squires RA, Crawford C, Marcondes M, Whitley N. 2024 guidelines for the vaccination of dogs and cats (WSAVA). Journal of Small Animal Practice. 2024;65(5):277-316.
- Schuller S, Francey T, Hartmann K, et al. European consensus statement on leptospirosis in dogs and cats. Journal of Small Animal Practice. 2015;56(3):159-179.
- Brasil. Ministério da Saúde. Leptospirose. Portal gov.br, Saúde de A a Z.




