Neste artigo 11 tópicos
- Por que o carrapato-marrom é tão difícil de eliminar
- As três doenças lado a lado
- Erliquiose: a doença das três fases
- Babesiose: a doença que destrói o sangue
- Sinais: quando observar e quando correr
- Diagnóstico
- Tratamento
- Prevenção: tratar o cão e a casa
- Mitos e verdades
- E as pessoas?
- Doença do carrapato na Bichos & Cia, em Ubá
"Doença do carrapato" é o nome popular de um grupo de infecções transmitidas por carrapatos aos cães. As mais comuns no Brasil são a erliquiose, causada pela bactéria Ehrlichia canis, e a babesiose, causada pelo protozoário Babesia vogeli. Um mesmo cão pode ter as duas ao mesmo tempo, às vezes junto com a Anaplasma platys, que afeta as plaquetas.
Todas têm o mesmo ponto de partida: o carrapato-marrom-do-cão (Rhipicephalus sanguineus), muito comum em cidades brasileiras, inclusive em casas e apartamentos.
Por que o carrapato-marrom é tão difícil de eliminar
Diferente de outros carrapatos, que vivem no mato, o carrapato-marrom vive dentro e ao redor das casas. Depois de se alimentar no cão, ele se solta e se esconde em frestas de paredes, rodapés, canis, casinhas, móveis e forros. Ali as fêmeas põem milhares de ovos.
Isso explica duas coisas que todo tutor já viu: o carrapato "volta" logo depois do banho, e a infestação continua mesmo em cães que quase não saem de casa.
Em épocas quentes, o ciclo se completa mais rápido, e a população de carrapatos pode explodir em poucas semanas. Por isso a prevenção precisa ser contínua, e não só quando aparecem carrapatos.
As três doenças lado a lado
| Erliquiose | Babesiose | Anaplasmose | |
|---|---|---|---|
| Agente | Bactéria Ehrlichia canis | Protozoário Babesia vogeli | Bactéria Anaplasma platys |
| Onde age | Células de defesa do sangue | Glóbulos vermelhos | Plaquetas |
| Sinal típico | Sangramentos, manchas roxas, febre | Gengiva pálida ou amarela, urina escura | Queda de plaquetas em ciclos |
| Gravidade | Pode ficar crônica e grave | Pode causar anemia grave | Em geral mais leve, mas agrava as outras |
Erliquiose: a doença das três fases
- Fase aguda (de 1 a 3 semanas após a picada): febre, apatia, falta de apetite, ínguas, dor, manchas roxas na pele e na gengiva, sangramento pelo nariz. As plaquetas caem.
- Fase subclínica: o cão parece curado, mas a bactéria continua no organismo. Pode durar meses ou anos, e só os exames mostram alterações.
- Fase crônica: alguns cães desenvolvem a forma grave, com a medula óssea comprometida, anemia intensa, sangramentos, emagrecimento, lesões nos olhos e infecções. Nessa fase o tratamento é difícil e o risco de morte é alto.
Babesiose: a doença que destrói o sangue
A Babesia invade as hemácias (glóbulos vermelhos) e causa sua destruição. Os sinais mais típicos são:
- gengivas e mucosas pálidas ou amareladas;
- urina escura, cor de café ou de refrigerante de cola;
- febre, fraqueza, respiração acelerada;
- falta de apetite e apatia.
Nos casos graves, a anemia pode exigir transfusão de sangue e internação. Filhotes e cães que já estão doentes por outro motivo tendem a sofrer mais.
Sinais: quando observar e quando correr
| Observar e marcar consulta | Procurar atendimento no mesmo dia |
|---|---|
| Febre leve, cão mais quieto | Sangramento pelo nariz ou na urina |
| Come menos que o normal | Manchas roxas na pele, na barriga ou na gengiva |
| Ínguas aumentadas | Gengiva muito pálida ou amarela |
| Emagrecimento lento | Urina escura, cor de café |
| Olhos vermelhos | Fraqueza intensa, respiração acelerada, desmaio |
Diagnóstico
- Hemograma: a queda de plaquetas é um achado muito comum na erliquiose; a anemia chama atenção na babesiose.
- Esfregaço de sangue: às vezes permite ver o parasito dentro das células.
- Testes sorológicos e rápidos: detectam anticorpos contra Ehrlichia e outros agentes. Um resultado positivo pode indicar contato antigo; o veterinário interpreta junto com os sinais.
- PCR: detecta o material genético do agente e ajuda a identificar infecções mistas.
- Bioquímica e urina: avaliam rins e fígado.
Tratamento
O tratamento é feito com medicamentos específicos para cada agente, prescritos pelo veterinário: antibiótico por várias semanas na erliquiose e na anaplasmose e antiparasitário próprio na babesiose. Cães com anemia ou sangramentos importantes podem precisar de internação, fluidos e transfusão.
Depois do tratamento, o veterinário costuma repetir o hemograma para confirmar que as plaquetas e o sangue se recuperaram.
Prevenção: tratar o cão e a casa
No cão
- Use um carrapaticida de forma contínua, o ano todo, respeitando o intervalo da bula e o peso do animal. As opções incluem comprimidos (isoxazolinas), pipetas e coleiras. Veja as diferenças no nosso guia de antipulgas e carrapaticidas.
- Inspecione o cão depois de passeios: orelhas, entre os dedos, axilas, virilha, pescoço e embaixo da coleira.
- Trate todos os cães da casa ao mesmo tempo. Um cão sem proteção mantém o ciclo vivo.

Como remover um carrapato
- Use uma pinça de ponta fina ou um removedor próprio.
- Segure o carrapato bem rente à pele, pela cabeça, e não pelo corpo.
- Puxe devagar e de forma contínua, sem torcer nem apertar o corpo do carrapato.
- Limpe o local e lave as mãos. Não esmague o carrapato com os dedos.
- Se a pele ficar inflamada por mais de alguns dias, mostre ao veterinário.
No ambiente
- Aspire frestas, rodapés e cantos; lave as caminhas com água quente.
- Vede frestas em muros e canis quando possível.
- Mantenha o quintal limpo e a grama baixa.
- Em infestações grandes, trate o ambiente com produto próprio, aplicado por profissional quando necessário, com os animais fora do local pelo tempo indicado.
Mitos e verdades
- "Banho de carrapaticida resolve." O banho mata os carrapatos daquele momento, mas não protege nos dias seguintes. A proteção precisa ser contínua.
- "Cachorro de apartamento não pega carrapato." Pega. O carrapato-marrom se adapta muito bem a casas e prédios.
- "Se não vejo carrapato, não preciso prevenir." A maior parte da população está escondida no ambiente, e larvas e ninfas são minúsculas.
- "Cão que já teve erliquiose fica imune." Mito. Pode pegar de novo.
- "Soro caseiro e vitaminas curam a doença do carrapato." Mito. O tratamento exige medicamentos específicos.
E as pessoas?
O carrapato-marrom raramente pica pessoas, e a erliquiose e a babesiose do cão não costumam afetar humanos. Mas outro carrapato, o carrapato-estrela (Amblyomma), comum em áreas com cavalos e capivaras, pode transmitir a febre maculosa, uma doença grave em pessoas. Minas Gerais registra casos de febre maculosa todos os anos. Cães que frequentam pastos, sítios e beiras de rio podem trazer esse carrapato para casa. Se alguém da família tiver febre alta depois de contato com carrapatos, procure atendimento médico e informe o contato.
Doença do carrapato na Bichos & Cia, em Ubá
Na Bichos & Cia fazemos exame clínico, coleta de sangue e exames laboratoriais para diagnóstico, tratamento e, quando necessário, internação. Em Ubá e nas cidades da região, com muitos sítios e áreas de pasto, a prevenção precisa ser levada a sério o ano inteiro. No Pet Shop você encontra carrapaticidas em comprimido, pipeta e coleira, com envio para todo o Brasil. Fale com a equipe para escolher a melhor opção para o seu cão.
Referências
- Harrus S, Waner T. Diagnosis of canine monocytotropic ehrlichiosis (Ehrlichia canis): an overview. The Veterinary Journal. 2011;187(3):292-296.
- Sainz Á, Roura X, Miró G, et al. Guideline for veterinary practitioners on canine ehrlichiosis and anaplasmosis in Europe. Parasites & Vectors. 2015;8:75.
- Solano-Gallego L, Sainz Á, Roura X, Estrada-Peña A, Miró G. A review of canine babesiosis: the European perspective. Parasites & Vectors. 2016;9:336.
- Dantas-Torres F. Biology and ecology of the brown dog tick, Rhipicephalus sanguineus. Parasites & Vectors. 2010;3:26.
- Dantas-Torres F. Canine vector-borne diseases in Brazil. Parasites & Vectors. 2008;1:25.
- Brasil. Ministério da Saúde. Febre maculosa. Portal gov.br, Saúde de A a Z.




