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Pulgas e carrapatos não são só incômodo. As pulgas causam alergia intensa, transmitem vermes e, em filhotes, podem levar à anemia. Os carrapatos transmitem doenças graves, como a erliquiose e a babesiose. Em regiões com leishmaniose, o mosquito-palha é outra ameaça a considerar.
A boa notícia é que existem produtos modernos, eficazes e seguros. O segredo está em escolher o produto certo para o animal certo e usar do jeito certo.
O que ninguém conta sobre as pulgas
As pulgas que você vê no animal são só uma pequena parte do problema. Estimativas clássicas de parasitologia mostram que, numa infestação típica, a maior parte da população está no ambiente, como ovos, larvas e pupas escondidos em tapetes, frestas, sofás e caminhas.
Por isso:
- um banho tira as pulgas por algumas horas, mas elas voltam;
- o tratamento precisa ser contínuo, por várias semanas, até esgotar as pupas do ambiente;
- todos os animais da casa precisam ser tratados ao mesmo tempo.
A pupa é a fase mais resistente: protegida por um casulo, ela pode esperar semanas até sentir calor, vibração ou gás carbônico de um animal por perto. É por isso que uma casa fechada por um tempo pode "explodir" em pulgas quando a família volta.
O que as pulgas causam
- Dermatite alérgica à picada de pulga, uma das causas mais comuns de coceira em cães e gatos.
- Verme intestinal (Dipylidium caninum): o animal se infecta ao engolir a pulga ao se coçar. Aqueles "grãozinhos de arroz" nas fezes ou perto do ânus podem ser pedaços desse verme. Veja o guia de vermes e vermifugação.
- Anemia em filhotes e animais pequenos muito infestados.
- Bartonella, bactéria que a pulga transmite entre gatos e que pode causar a doença da arranhadura do gato em pessoas.
Os tipos de produto
| Tipo | Como age | Pontos fortes | Atenção |
|---|---|---|---|
| Comprimido mastigável | Age a partir do sangue; pulgas e carrapatos morrem após picar | Não sai no banho; ação rápida; duração de 1 a 3 meses, conforme o produto | Animais com histórico de convulsões só com orientação; não repele insetos |
| Pipeta (spot-on) | Espalha-se pela oleosidade da pele | Várias opções; algumas repelem carrapatos e mosquitos | Evitar banho perto da aplicação; algumas são tóxicas para gatos |
| Coleira | Libera o princípio ativo aos poucos | Longa duração; algumas repelem o mosquito-palha | Trocar no prazo; retirar se houver irritação; cuidado com crianças |
| Spray, xampu e sabonete | Efeito imediato e curto | Ajuda em infestações pontuais | Não substitui a prevenção contínua |
Comprimidos
Os mais modernos pertencem ao grupo das isoxazolinas (como afoxolaner, fluralaner, sarolaner e lotilaner). São práticos, não saem com banho ou chuva e agem rápido. Como a pulga ou o carrapato precisa picar para morrer, eles não repelem. Em cães que vivem em área de leishmaniose, costumam ser associados a uma coleira repelente.
Pipetas
Aplicadas na nuca, se espalham pela pele. Algumas associações têm ação repelente contra carrapatos, moscas e mosquitos. Siga a bula sobre banho e não divida uma pipeta entre animais.
Coleiras
As coleiras com deltametrina repelem o mosquito-palha e são peça central na prevenção da leishmaniose. Outras coleiras protegem contra pulgas e carrapatos por vários meses. Ajuste a coleira deixando espaço de dois dedos e corte a sobra.
Princípios ativos em linguagem simples
| Grupo | Onde aparece | Observação |
|---|---|---|
| Isoxazolinas | Comprimidos para cães; algumas pipetas para gatos | Pulgas e carrapatos; alguns também tratam sarnas |
| Fipronil | Pipetas e sprays para cães e gatos | Pulgas e carrapatos; clássico e bastante usado |
| Imidacloprida | Pipetas e coleiras | Pulgas; em associações, também carrapatos |
| Permetrina e deltametrina | Pipetas e coleiras para cães | Repelem carrapatos e mosquitos; tóxicas para gatos |
| Reguladores de crescimento (piriproxifeno, metopreno) | Associados em pipetas e sprays | Impedem que ovos e larvas virem adultos |
Atenção máxima com os gatos
Outros cuidados:
- Use somente produtos com indicação para gatos, na faixa de peso certa.
- Em casas com cães e gatos, evite que o gato se esfregue no cão logo depois de aplicar uma pipeta com piretroide.
- Coleiras com deltametrina, feitas para cães, também não servem para gatos.
- Se aplicou por engano um produto de cão no gato, lave o local com detergente neutro e água morna e leve o gato à clínica imediatamente, levando a embalagem.
Como escolher: as perguntas certas
- É cão ou gato? A primeira regra de segurança.
- Quanto pesa hoje? Pese o animal. A dose depende da faixa de peso, e filhotes mudam de faixa rapidamente.
- Qual a idade? Cada produto tem idade e peso mínimos.
- Está prenhe ou amamentando? Nem todo produto é liberado.
- Toma banho toda semana ou nada? Comprimidos e coleiras resistentes à água levam vantagem.
- Vive ou viaja para área de leishmaniose? Inclua um repelente para mosquito-palha.
- Tem histórico de convulsões, alergias ou doenças crônicas? Converse com o veterinário antes.
Como usar do jeito certo
- Todo o ano, sem pausa. No clima da Zona da Mata, pulgas e carrapatos circulam o ano inteiro, com picos nos meses quentes.
- Todos os animais da casa tratados juntos.
- Anote a data da próxima dose no celular ou no Portal do Tutor.
- Não fracione comprimidos ou pipetas de faixas de peso maiores sem orientação.
- Aplique a pipeta direto na pele, afastando os pelos, e não sobre o pelo.
- Trate o ambiente: aspire tapetes, sofás e frestas, jogue fora o saco do aspirador e lave caminhas em água quente. Em infestações grandes, a equipe pode indicar produtos para o ambiente.
Erros mais comuns
- Tratar só o animal que coça e esquecer os outros.
- Parar o produto no inverno.
- Atrasar a dose seguinte "porque ainda não apareceu pulga".
- Dar banho logo antes ou logo depois da pipeta.
- Comprar pela faixa de peso "aproximada".
- Usar produto de cão no gato.
Sinais de alergia à pulga
A dermatite alérgica à picada de pulga é uma das causas mais comuns de coceira em cães e gatos. Uma única picada pode desencadear coceira intensa, perda de pelos e feridas, principalmente na região lombar, perto da cauda. Nos gatos, aparecem crostinhas pelo corpo e lambedura excessiva. Nesses animais o controle rigoroso é indispensável. Se a coceira continuar mesmo com o controle em dia, pode haver outra causa, como a dermatite atópica. Procure nossa dermatologia veterinária.
Mitos e verdades
- "Alho e vinagre espantam pulgas." Mito. Não há eficácia comprovada, e o alho é tóxico para cães e gatos.
- "No inverno não precisa." Mito. Dentro de casa o ciclo continua.
- "Coleira de farmácia qualquer resolve." Coleiras sem registro ou fora do prazo não protegem.
- "Se não vejo pulga, não tem pulga." Animais que se lambem muito, como gatos, removem as pulgas. Procure as fezes da pulga: pontinhos pretos que ficam avermelhados num papel úmido.
Onde comprar
No Pet Shop Bichos & Cia você encontra comprimidos, pipetas e coleiras das principais marcas, com envio para todo o Brasil e retirada grátis na clínica, em Ubá. Na dúvida sobre qual escolher, fale com a equipe antes de finalizar a compra.
Referências
- Dryden MW, Rust MK. The cat flea: biology, ecology and control. Veterinary Parasitology. 1994;52(1-2):1-19.
- Rust MK. The biology and ecology of cat fleas and advancements in their pest management: a review. Insects. 2017;8(4):118. Texto completo
- ESCCAP. Control of ectoparasites in dogs and cats. ESCCAP Guideline 03. European Scientific Counsel Companion Animal Parasites. esccap.org
- U.S. Food and Drug Administration. Fact sheet for pet owners and veterinarians about potential adverse events associated with isoxazoline flea and tick products. 2018.
- Boland LA, Angles JM. Feline permethrin toxicity: retrospective study of 42 cases. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2010;12(2):61-71.
- Dantas-Torres F. Biology and ecology of the brown dog tick, Rhipicephalus sanguineus. Parasites & Vectors. 2010;3:26.
- Chomel BB, Kasten RW. Bartonellosis, an increasingly recognized zoonosis. Journal of Applied Microbiology. 2010;109(3):743-750.




