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A cinomose é uma doença viral grave e muito contagiosa, que ainda atinge muitos cães no Brasil. Um levantamento de 12 anos no serviço de patologia da Universidade Federal de Santa Maria (RS) encontrou a cinomose em cerca de 12% das necropsias de cães, com a maioria dos casos em animais com menos de 1 ano e meio e mais casos no inverno. Em 82% deles, o vírus havia atingido o sistema nervoso.
A maioria dos casos acontece em cães não vacinados ou com vacinação incompleta. E é justamente por isso que ela é tão importante: é uma doença grave que a vacina previne.
O que é e como se transmite
O vírus da cinomose é parente do vírus do sarampo. Ele é eliminado principalmente nas secreções respiratórias (espirros, tosse, secreção do nariz e dos olhos), e também na urina e nas fezes.
- A transmissão acontece principalmente pelo contato próximo e pelo ar, entre cães que convivem ou se encontram.
- O vírus é frágil no ambiente: sobrevive pouco tempo fora do corpo e é destruído por desinfetantes comuns. Ao contrário do parvovírus, não persiste meses no chão.
- Cães infectados podem eliminar o vírus antes de mostrarem sinais e por semanas depois.
- Animais silvestres, como raposas, lobos-guará, cachorros-do-mato e quatis, também são afetados, e cães não vacinados em áreas rurais podem ser fonte para a fauna.
As fases da doença
| Fase | Quando | Sinais |
|---|---|---|
| Inicial | 1 a 2 semanas após o contágio | Febre, apatia, falta de apetite |
| Respiratória e ocular | Logo depois | Secreção nos olhos e no nariz, amarelada ou esverdeada; tosse; pneumonia |
| Digestiva | Junto com a respiratória | Vômitos, diarreia, desidratação |
| Pele | Dias a semanas depois | Focinho e almofadinhas das patas ressecados e endurecidos; pústulas na barriga de filhotes |
| Neurológica | Junto ou de 1 a 3 semanas depois, às vezes meses | Tique (mioclonia), tremores, andar cambaleante, convulsões, paralisia, alterações de comportamento |
A fase neurológica é a mais grave e nem sempre vem depois das outras: alguns cães apresentam sinais neurológicos com poucos sinais respiratórios anteriores.
O tique da cinomose
A mioclonia, conhecida como tique, é a contração repetida e ritmada de um grupo de músculos, como da cabeça, de uma pata ou da mandíbula, que continua mesmo com o cão dormindo. É um sinal muito característico da doença e pode persistir para o resto da vida, mesmo após a recuperação.
Quando procurar atendimento
Mesmo sinais leves, como secreção nos olhos e febre em um cão não vacinado ou filhote, merecem consulta no mesmo dia ou no dia seguinte.
Diagnóstico
A cinomose pode se parecer com outras doenças, como a tosse dos canis, a toxoplasmose e outras infecções do sistema nervoso. O diagnóstico combina:
- Histórico e exame clínico: vacinação, contato com outros cães, evolução dos sinais.
- PCR: detecta o material genético do vírus em amostras de secreção dos olhos, sangue, urina ou, em casos neurológicos, líquido da espinha. Um cão vacinado recentemente pode ter resultado positivo pela vacina, e o veterinário interpreta isso.
- Testes rápidos de antígeno: úteis como triagem.
- Hemograma e outros exames: avaliam o estado geral e infecções secundárias.
- Radiografia do tórax: avalia pneumonia.
Tratamento
Não existe antiviral aprovado para a cinomose em cães. O tratamento dá suporte ao organismo enquanto o sistema de defesa combate o vírus:
- Isolamento de outros cães.
- Hidratação com soro, quando necessário.
- Alimentação adequada, às vezes com dietas de recuperação ou sonda.
- Antibióticos para infecções secundárias, como pneumonia.
- Limpeza frequente das secreções dos olhos e do nariz; nebulização quando indicada.
- Medicamentos para convulsões e controle da dor.
- Fisioterapia e cuidados de enfermagem em cães com fraqueza ou dificuldade para andar.
Em casos graves, a internação permite monitoração contínua. Alguns tratamentos complementares são discutidos na literatura, mas nenhum substitui o suporte básico. Desconfie de promessas de "cura garantida".
Prognóstico e sequelas
Cães sem sinais neurológicos, tratados cedo, têm mais chances de recuperação completa. Quando o sistema nervoso é atingido, o prognóstico é mais reservado: podem ficar tique, convulsões, fraqueza ou incoordenação. Alguns cães adultos desenvolvem, raramente, formas neurológicas tardias. A decisão sobre o tratamento é conversada com a família, considerando a qualidade de vida do cão.
Muitos sobreviventes vivem bem, com adaptações. Cães com sequelas podem precisar de remédios contínuos para convulsões e cuidados de fisioterapia.
Cuidados em casa
- Mantenha o cão aquecido, seco e em local tranquilo.
- Limpe olhos e nariz com gaze e soro fisiológico várias vezes ao dia.
- Ofereça comida pastosa e morna, que tem mais cheiro e sabor.
- Em cães com dificuldade para andar, use tapetes antiderrapantes e mude o cão de posição a cada poucas horas se ele não se levantar.
- Anote as convulsões: horário, duração e como foram. Leve essas anotações à consulta.
- Isole de outros cães e lave as mãos depois de manipular o doente.
Prevenção
- Vacinação do filhote: série de doses da polivalente (V8 ou V10) a cada 2 a 4 semanas até pelo menos 16 semanas, com reforço entre 6 meses e 1 ano. Veja o guia de vacinas.
- Reforços do adulto conforme orientação veterinária.
- Filhote não vacinado não deve ter contato com cães desconhecidos, feiras e locais com muitos cães.
- Novo cão em casa: vacinação em dia e, se possível, alguns dias de observação antes do contato com os outros.
- Adoção responsável: cães resgatados devem passar por avaliação antes de conviver com outros animais.
Mitos e verdades
- "Cinomose é só dos filhotes." Filhotes são os mais atingidos, mas cães adultos não vacinados também adoecem.
- "Cinomose é sempre fatal." Mito. Muitos cães se recuperam, principalmente com tratamento precoce.
- "O vírus fica anos no quintal." Mito. O vírus da cinomose é frágil no ambiente; quem persiste por meses é o parvovírus.
- "Cachorro com tique transmite cinomose para sempre." O tique é uma sequela; a eliminação do vírus não dura a vida toda. Converse com o veterinário antes de colocar o cão em contato com filhotes.
- "Remédio caseiro cura cinomose." Mito. Não existe remédio caseiro eficaz, e o atraso no tratamento piora o prognóstico.
Cinomose na Bichos & Cia, em Ubá
Na Bichos & Cia, a suspeita de cinomose é atendida com isolamento, exames para diagnóstico e tratamento de suporte, incluindo internação e monitoramento quando necessário. A melhor proteção continua sendo a vacina: conheça o serviço de vacinação de filhotes. Atendemos tutores de Ubá e das cidades da região. Veja também o guia de parvovirose, a outra grande ameaça aos filhotes.
Referências
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- Headley SA, Graça DL. Canine distemper: epidemiological findings of 250 cases. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science. 2000;37(2):136-140. SciELO
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- Squires RA, Crawford C, Marcondes M, Whitley N. 2024 guidelines for the vaccination of dogs and cats (WSAVA). Journal of Small Animal Practice. 2024;65(5):277-316.
- Sykes JE, editor. Greene's Infectious Diseases of the Dog and Cat. 5th ed. St. Louis: Elsevier; 2021.




