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Oncologia veterinária

Câncer de mama em cadelas e gatas: autoexame, sinais, tratamento e prevenção

Outubro Rosa também é para elas. O tumor de mama é o câncer mais comum em cadelas não castradas, e nas gatas quase sempre é maligno. Aprenda o autoexame, entenda os estágios, os exames, a cirurgia e como prevenir.

Câncer de mama em cadelas e gatas: autoexame, sinais, tratamento e prevenção
Neste artigo 13 tópicos
  1. Números que ajudam a entender o problema
  2. Onde ficam as mamas
  3. Fatores de risco
  4. A castração protege? O que a ciência diz
  5. Sinais de alerta
  6. Autoexame: 2 minutos por mês
  7. Como é o diagnóstico
  8. Tratamento
  9. Pós-operatório da mastectomia
  10. Acompanhamento depois do tratamento
  11. Mitos e verdades
  12. Prevenção em quatro atitudes
  13. Outubro Rosa na Bichos & Cia, em Ubá

Em outubro, o laço rosa lembra a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama. Nos animais o recado é o mesmo: quanto menor o tumor quando é descoberto, melhores as chances de cura.

O tumor de mama é o tipo de câncer mais comum em cadelas não castradas. Nas gatas é menos frequente, mas muito mais agressivo. A boa notícia é que existem duas armas simples e eficazes: a castração no momento certo e o autoexame das mamas, que qualquer tutor pode fazer em casa.

Números que ajudam a entender o problema

  • Na literatura internacional, cerca de metade dos tumores de mama das cadelas é maligna. Em levantamentos brasileiros, a proporção de malignos costuma ser ainda maior.
  • Nas gatas, a grande maioria dos tumores de mama é maligna (carcinomas), com tendência a invadir linfonodos e pulmões.
  • A doença aparece mais em fêmeas de meia-idade e idosas, em geral a partir dos 7 ou 8 anos.
  • O tamanho do tumor no diagnóstico é um dos fatores que mais pesam no prognóstico. Em cadelas, tumores com menos de 3 cm têm evolução bem melhor; em gatas, o ponto de corte é ainda menor, de 2 cm.
  • Estudos mostram que tumores malignos tendem a ser maiores e a aparecer em cadelas mais velhas do que os benignos, o que sugere que alguns nódulos evoluem com o tempo. Esperar "para ver se cresce" é perder tempo precioso.

Onde ficam as mamas

A cadela tem, em geral, cinco pares de mamas, do peito até a virilha: duas torácicas, duas abdominais e uma inguinal de cada lado. A gata tem quatro pares. Muitos tumores aparecem nas mamas de trás, as abdominais caudais e as inguinais, que são as maiores.

Cadeias mamárias da cadela (5 pares) e da gata (4 pares)
Examine as duas cadeias inteiras, da axila até a virilha.

As mamas se comunicam com linfonodos da axila e da virilha, que funcionam como filtros. Por isso o veterinário examina esses linfonodos e, na cirurgia, muitas vezes os retira junto com o tumor.

Fatores de risco

FatorO que se sabe
Hormônios do cioPrincipal fator. Quanto mais ciclos antes da castração, maior a exposição
Injeção anticio (progestágenos)Aumenta o risco de tumores de mama e de piometra; em gatas, também de hiperplasia mamária
IdadeMais comum a partir dos 7 a 8 anos
Obesidade na juventudeCadelas obesas no primeiro ano de vida parecem ter mais risco
RaçaPoodle, Yorkshire, Dachshund e outras raças pequenas aparecem com frequência; gatas siamesas têm risco maior

A castração protege? O que a ciência diz

Um estudo clássico de 1969 descreveu que cadelas castradas antes do primeiro cio tinham cerca de 0,5% do risco de tumor de mama das não castradas. Esse número subia para 8% nas castradas depois do primeiro cio e para 26% nas castradas depois do segundo. Esses valores foram repetidos por décadas.

Uma revisão sistemática de 2012 reavaliou os estudos disponíveis e concluiu que a qualidade das evidências é fraca, com resultados variados. O consenso atual, incluindo o consenso brasileiro de tumores mamários e as diretrizes da WSAVA de 2024, continua reconhecendo a castração precoce como fator de proteção, mas recomenda que a idade da cirurgia seja decidida caso a caso. Nas gatas, a castração antes de 1 ano se associa a uma redução importante do risco de carcinoma mamário, e antes dos 6 meses a proteção é ainda maior.

Leia mais sobre o momento certo no nosso guia de castração.

Sinais de alerta

  • Nódulo, "caroço" ou endurecimento em qualquer mama, pequeno ou grande
  • Vários nódulos, em uma ou nas duas cadeias
  • Mama inchada, avermelhada, quente ou dolorida
  • Ferida (úlcera) sobre a mama ou secreção pelos mamilos
  • Linfonodo aumentado na axila ou na virilha
  • Emagrecimento, cansaço, tosse ou falta de ar, que podem indicar doença avançada

Nem todo aumento de mama é tumor

SituaçãoQuando costuma aparecerComo é
Tumor de mamaFêmeas adultas e idosasNódulo firme, que persiste e pode crescer
MastiteApós o parto ou na gravidez psicológicaMama quente, dolorida, às vezes com secreção; costuma vir com febre
Gravidez psicológicaCerca de 2 meses após o cioVárias mamas aumentadas, às vezes com leite, sem nódulo definido
Hiperplasia fibroepitelial (gatas)Gatas jovens, no cio ou após injeção anticioAumento rápido e grande de várias mamas

Só o exame diferencia com segurança. Na dúvida, examine.

Autoexame: 2 minutos por mês

Escolha um dia fixo do mês e um momento em que seu pet esteja calmo, deitado de lado ou de barriga para cima.

Passo a passo do autoexame das mamas em cadelas e gatas
Palpe com a ponta dos dedos, em pequenos círculos, de cada mama até a pele ao redor.
  1. Comece pela axila e desça até a virilha, uma cadeia de cada vez.
  2. Use a ponta dos dedos, em pequenos movimentos circulares, sobre cada mama e a pele ao redor.
  3. Compare os dois lados: as mamas devem ter consistência parecida.
  4. Se encontrar algo, anote a data, a localização e o tamanho aproximado (grão de arroz, ervilha, uva, azeitona). Uma foto com uma moeda ao lado ajuda a comparar depois.
  5. Não espere para ver se cresce. Marque a avaliação.

Como é o diagnóstico

  1. Exame clínico das duas cadeias mamárias e dos linfonodos das axilas e da virilha.
  2. Citologia por punção com agulha fina, que ajuda a excluir outros tipos de nódulo, mas nem sempre define se o tumor de mama é benigno ou maligno.
  3. Estadiamento: radiografias do tórax em três posições ou tomografia para procurar metástases no pulmão, ultrassonografia do abdômen e exames de sangue para avaliar a saúde geral e o risco da cirurgia.
  4. Exame histopatológico do tumor retirado: é ele que confirma o tipo, o grau de agressividade e se as margens da cirurgia estão livres. Esse resultado orienta os próximos passos.

Os estágios da doença nas cadelas

O estadiamento usa o tamanho do maior tumor (T), os linfonodos (N) e a presença de metástase à distância (M).

EstágioTamanho do tumorLinfonodosMetástase à distância
IMenor que 3 cmSem alteraçãoNão
IIDe 3 a 5 cmSem alteraçãoNão
IIIMaior que 5 cmSem alteraçãoNão
IVQualquer tamanhoComprometidosNão
VQualquer tamanhoQualquer situaçãoSim

Quanto mais cedo o estágio, melhor o prognóstico. Nas gatas, os cortes de tamanho são menores (2 e 3 cm), porque o tumor felino é mais agressivo. Em gatas com tumores menores de 2 cm, a sobrevida costuma ser medida em anos; acima de 3 cm, muitas vezes em meses.

Tratamento

A cirurgia é o tratamento principal e, em muitos tumores pequenos e benignos, é curativa. A extensão da cirurgia varia com o tamanho, o número e a localização dos nódulos:

  • retirada só do nódulo ou da mama afetada, em tumores pequenos e bem delimitados;
  • retirada de um conjunto de mamas que drenam para os mesmos linfonodos;
  • retirada da cadeia inteira de um lado (mastectomia unilateral) ou das duas, em etapas.

Nas gatas, pela agressividade, costuma-se indicar a retirada da cadeia inteira, muitas vezes das duas, em cirurgias separadas.

Conforme o tipo e o grau do tumor, o plano pode incluir quimioterapia, controle da dor e acompanhamento com exames periódicos. A eletroquimioterapia pode ser uma opção em casos selecionados para controle local. Em algumas cadelas, castrar junto com a retirada do tumor pode trazer benefício; o veterinário avalia caso a caso.

Pós-operatório da mastectomia

A cirurgia de mama tem cortes maiores do que uma castração, e a recuperação pede atenção:

  • Controle da dor com a medicação prescrita, nos horários certos.
  • Roupa cirúrgica ou colar o tempo todo, para impedir lambidas.
  • Repouso por cerca de duas semanas, sem pulos e sem brincadeiras brutas.
  • Observe a ferida duas vezes ao dia. Um acúmulo de líquido macio embaixo da pele (seroma) é relativamente comum e deve ser avaliado.
  • Retorno para revisão e retirada de pontos, e para conversar sobre o resultado da histopatologia.

Acompanhamento depois do tratamento

Mesmo com a cirurgia bem-sucedida, o acompanhamento continua. Em tumores malignos, o veterinário costuma programar reavaliações com exame físico e radiografias do tórax nos primeiros anos. E o autoexame segue valendo: as mamas que ficaram também podem desenvolver novos nódulos.

Mitos e verdades

  • "Se não dói, não é grave." Mito. A maioria dos tumores de mama não dói no início.
  • "Tumor pequeno não precisa operar." Mito. Pequeno é o melhor momento para operar.
  • "Castrar agora cura o tumor que já existe." Mito. A castração não elimina um tumor já formado; o tratamento é a retirada cirúrgica.
  • "Cadela idosa não aguenta cirurgia." Nem sempre. Com avaliação pré-operatória e anestesia monitorada, muitas idosas se recuperam bem.
  • "Gata castrada não tem câncer de mama." A castração reduz muito o risco, mas não o elimina. O autoexame vale para todas.

Prevenção em quatro atitudes

  1. Converse com o veterinário sobre a castração e a idade ideal.
  2. Não use anticoncepcional injetável para evitar cio.
  3. Mantenha o peso adequado desde filhote. Veja o guia de obesidade em cães e gatos.
  4. Faça o autoexame mensal e leve sua cadela ou gata ao check-up anual. Idosas podem precisar de avaliações a cada 6 meses.

Outubro Rosa na Bichos & Cia, em Ubá

Na Bichos & Cia, o exame das mamas faz parte da consulta de rotina das fêmeas. Quando encontramos um nódulo, organizamos o estadiamento com ultrassonografia, raio-X e exames laboratoriais, planejamos a cirurgia e acompanhamos o tratamento. Conheça nosso atendimento em oncologia e eletroquimioterapia e agende uma avaliação. Atendemos tutores de Ubá e das cidades da região.

Referências

  • Cassali GD, Jark PC, Gamba C, et al. Consensus regarding the diagnosis, prognosis and treatment of canine and feline mammary tumors - 2019. Brazilian Journal of Veterinary Pathology. 2020;13(3):555-574. bjvp.org.br
  • Sorenmo KU, Worley DR, Zappulli V. Tumors of the mammary gland. In: Vail DM, Thamm DH, Liptak JM, editors. Withrow and MacEwen's Small Animal Clinical Oncology. 6th ed. St. Louis: Elsevier; 2020.
  • Sorenmo KU, Kristiansen VM, Cofone MA, et al. Canine mammary gland tumours; a histological continuum from benign to malignant; clinical and histopathological evidence. Veterinary and Comparative Oncology. 2009;7(3):162-172.
  • Schneider R, Dorn CR, Taylor DO. Factors influencing canine mammary cancer development and postsurgical survival. Journal of the National Cancer Institute. 1969;43(6):1249-1261.
  • Beauvais W, Cardwell JM, Brodbelt DC. The effect of neutering on the risk of mammary tumours in dogs: a systematic review. Journal of Small Animal Practice. 2012;53(6):314-322. doi:10.1111/j.1748-5827.2011.01220.x
  • Overley B, Shofer FS, Goldschmidt MH, Sherer D, Sorenmo KU. Association between ovarihysterectomy and feline mammary carcinoma. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2005;19(4):560-563.
  • MacEwen EG, Hayes AA, Harvey HJ, et al. Prognostic factors for feline mammary tumors. Journal of the American Veterinary Medical Association. 1984;185(2):201-204.
  • Goldschmidt M, Peña L, Rasotto R, Zappulli V. Classification and grading of canine mammary tumors. Veterinary Pathology. 2011;48(1):117-131.
  • Romagnoli S, Krekeler N, de Cramer K, et al. WSAVA guidelines for the control of reproduction in dogs and cats. Journal of Small Animal Practice. 2024;65(7):424-559.
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Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre este assunto.

Respostas diretas da equipe. Casos individuais podem exigir avaliação presencial.

Todo caroço na mama da cadela é câncer?

Não. Nas cadelas, uma parte dos tumores de mama é benigna. Mas não dá para saber pelo toque: só a análise do tecido retirado (exame histopatológico) confirma. Por isso todo nódulo deve ser avaliado logo.

E nas gatas?

Nas gatas a situação é mais séria: a grande maioria dos tumores de mama é maligna e se espalha com facilidade. Qualquer nódulo na barriga de uma gata merece avaliação rápida.

A injeção para não dar cio causa câncer de mama?

Os anticoncepcionais injetáveis à base de progestágenos aumentam o risco de tumores de mama e de piometra em cadelas e gatas. O método recomendado para evitar cio e crias é a castração.

Castrar depois de adulta ainda protege?

O efeito protetor contra tumor de mama é maior quando a castração é feita cedo, mas a cirurgia em qualquer idade continua prevenindo a piometra e outras doenças. O veterinário avalia cada caso.

Se o nódulo é pequeno, posso esperar?

Não é recomendado. O tamanho do tumor no momento da cirurgia é um dos fatores que mais influenciam o resultado, e tumores benignos podem mudar com o tempo. Pequeno é o melhor momento para operar.

A punção ou a biópsia espalham o câncer?

Não há motivo para evitar os exames por esse medo. Eles são feitos com técnica adequada e ajudam a planejar a cirurgia certa.

Minha cadela é idosa. Ainda vale operar?

Idade não é doença. Com exames pré-operatórios, anestesia monitorada e controle da dor, muitas cadelas idosas passam bem pela cirurgia. A decisão considera a saúde geral e o estadiamento.

Macho pode ter câncer de mama?

Pode, mas é raro. Todo nódulo na região das mamas, em macho ou fêmea, deve ser examinado.

Minha gata jovem está com as mamas muito inchadas. É câncer?

Em gatas jovens, principalmente após injeção anticio ou no cio, pode ocorrer a hiperplasia fibroepitelial, um aumento benigno e rápido das mamas. Parece assustador, mas é tratável. Precisa de avaliação para diferenciar de tumor.

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