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A válvula mitral separa o átrio e o ventrículo do lado esquerdo do coração. Com a idade, em muitos cães, ela sofre uma degeneração: fica espessa e deformada e deixa de fechar direito. Parte do sangue volta a cada batimento, e isso produz o sopro que o veterinário ouve com o estetoscópio.
Com o passar do tempo, o coração pode aumentar e, em alguns cães, o líquido se acumula nos pulmões: é a insuficiência cardíaca congestiva.
Quem tem mais risco
- Cães de porte pequeno e médio, principalmente a partir da meia-idade
- Raças predispostas: Cavalier King Charles Spaniel (muito precoce), Poodle, Yorkshire, Chihuahua, Pinscher, Dachshund, Shih Tzu, Lhasa Apso, Maltês
- Idade: a frequência aumenta muito nos idosos
- Machos costumam desenvolver a doença um pouco mais cedo
Sinais de alerta
- Sopro detectado na consulta (sem sintomas no início)
- Cansaço em passeios, paradas frequentes
- Respiração acelerada em repouso ou dormindo
- Tosse, principalmente à noite ou ao se agitar
- Inquietação à noite, dificuldade para deitar
- Desmaios
- Barriga inchada, emagrecimento nos casos avançados
Os estágios da doença (ACVIM)
O Colégio Americano de Medicina Interna Veterinária (ACVIM) classifica a doença em estágios, e o tratamento muda conforme o estágio.
| Estágio | O que significa | Conduta geral |
|---|---|---|
| A | Cão de raça de risco, ainda sem sopro | Consultas de rotina com ausculta |
| B1 | Sopro, sem aumento importante do coração | Reavaliações periódicas, em geral anuais |
| B2 | Sopro e coração aumentado, ainda sem sintomas | Início do tratamento para adiar a insuficiência |
| C | Insuficiência cardíaca atual ou passada | Tratamento para insuficiência cardíaca e acompanhamento próximo |
| D | Insuficiência que não responde bem ao tratamento padrão | Tratamento intensivo e cuidados especiais |
Por que o estágio B2 é tão importante
Um grande estudo internacional com cães no estágio B2 mostrou que um medicamento específico, iniciado antes dos sintomas, adiou o início da insuficiência cardíaca em cerca de 15 meses em média, comparado ao placebo. Por isso é tão importante investigar o sopro, e não apenas "acompanhar".
Como é o diagnóstico
- Ausculta do coração e dos pulmões na consulta.
- Radiografia do tórax: tamanho do coração e presença de líquido nos pulmões.
- Ecocardiograma: mostra a válvula, o refluxo e as medidas das câmaras; é o principal exame para definir o estágio.
- Eletrocardiograma: avalia o ritmo e as arritmias.
- Pressão arterial e exames de sangue, incluindo a função dos rins, importante para o tratamento.
- Em alguns casos, biomarcadores cardíacos no sangue.
Contagem da respiração em casa
É uma das ferramentas mais úteis para quem tem um cão com doença cardíaca:
- Espere o cão dormir tranquilo, em ambiente fresco.
- Conte quantas vezes o peito sobe em 30 segundos.
- Multiplique por 2.
- Anote em um caderno ou no celular, alguns dias por semana.
Valores repetidamente acima de 30 a 35 respirações por minuto em repouso, ou aumento em relação ao habitual do seu cão, são motivo para falar com o veterinário, mesmo sem outros sinais.
Tratamento e cuidados
O tratamento é individual e ajustado ao estágio. Pode incluir medicamentos que melhoram a força do coração, diuréticos para retirar o líquido dos pulmões e outros remédios de suporte, sempre com exames de controle.
No dia a dia:
- Peso adequado: excesso de peso sobrecarrega o coração e a respiração. Veja o guia de obesidade.
- Alimentação sem excesso de sal e sem petiscos salgados; a dieta pode ser ajustada nos estágios avançados.
- Passeios leves, sem forçar, evitando o calor. Veja o guia de golpe de calor.
- Remédios nos horários certos, sem interromper por conta própria.
- Revisões conforme o estágio.
Mitos e verdades
- "Sopro é normal em cachorro velho." É comum, mas precisa ser investigado.
- "Se não tem sintomas, não precisa de exame." O estágio B2 não tem sintomas e é quando o tratamento pode fazer diferença.
- "Tosse de cão idoso é sempre do coração." Doenças da traqueia e dos brônquios também causam tosse.
- "Cão cardiopata não pode fazer nada." A maioria mantém uma rotina ativa e adaptada.
Cardiologia na Bichos & Cia, em Ubá
Na Bichos & Cia, a avaliação do coração começa na ausculta da consulta de rotina. Quando há sopro ou sintomas, realizamos a investigação com eletrocardiograma e avaliação cardiológica, raio-X e exames laboratoriais, e montamos o plano de acompanhamento. Atendemos Ubá e cidades da região.
Referências
- Keene BW, Atkins CE, Bonagura JD, et al. ACVIM consensus guidelines for the diagnosis and treatment of myxomatous mitral valve disease in dogs. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2019;33(3):1127-1140. Texto completo
- Boswood A, Häggström J, Gordon SG, et al. Effect of pimobendan in dogs with preclinical myxomatous mitral valve disease and cardiomegaly: the EPIC study, a randomized clinical trial. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2016;30(6):1765-1779.
- Porciello F, Rishniw M, Ljungvall I, et al. Sleeping and resting respiratory rates in dogs and cats with medically-controlled left-sided congestive heart failure. The Veterinary Journal. 2016;207:164-168.
- Borgarelli M, Buchanan JW. Historical review, epidemiology and natural history of degenerative mitral valve disease. Journal of Veterinary Cardiology. 2012;14(1):93-101.




