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Para nós, fogos de artifício são festa. Para muitos cães e gatos, são uma sequência de explosões imprevisíveis, com clarões e cheiro de pólvora, sem nenhuma explicação. A audição deles é muito mais sensível que a nossa, e o medo é uma reação natural de sobrevivência.
Um estudo com tutores no Reino Unido mostrou que quase metade dos cães apresentava pelo menos um sinal de medo de barulhos. Em muitos, o medo é intenso: há cães que se machucam tentando fugir, quebram dentes roendo grades, saltam muros ou se perdem. Réveillon, jogos de futebol, festas juninas e comemorações da cidade são momentos de alto risco.
Como reconhecer o medo
| Sinais leves | Sinais intensos (pânico) |
|---|---|
| Orelhas para trás, cauda baixa | Tremores fortes, ofegar muito, babar |
| Lamber os lábios, bocejar | Tentar fugir, cavar, pular muros ou janelas |
| Procurar o tutor, ficar grudado | Destruir portas e grades, se machucar |
| Andar de um lado para o outro | Fazer xixi ou cocô sem controle |
| Esconder-se, recusar comida | Não responder ao chamado, olhar fixo e pupilas dilatadas |
Gatos costumam se esconder, ficar imóveis, com pupilas dilatadas, e podem recusar comida ou urinar fora da caixa nos dias seguintes.
O plano em três fases
Antes: semanas e dias antes da festa
- Consulta com antecedência se o seu animal tem medo intenso. Medicamentos para crises precisam de avaliação e, de preferência, de um teste da dose antes do dia.
- Identificação: coleira com plaqueta com o seu telefone e, se possível, microchip com cadastro atualizado. Tire uma foto recente do animal.
- Cantinho seguro: escolha um cômodo interno, com poucas janelas. Monte ali uma "toca" com caminha, cobertor por cima de uma caixa de transporte ou mesa, água, brinquedos e uma peça de roupa com o seu cheiro. Deixe o animal conhecer e usar esse lugar antes da festa.
- Feromônios, quando indicados, devem começar alguns dias antes.
- Revise a casa: portões, muros, telas, frestas em cercas. Animais em pânico passam por espaços improváveis.
- No dia: passeio longo e cocô feito antes do anoitecer, e refeição algumas horas antes dos fogos.
Durante: na hora dos fogos
- Fique em casa com ele, se possível. A presença calma do tutor ajuda.
- Feche portas, janelas e cortinas, para reduzir o som e os clarões.
- Som de fundo: televisão, música tranquila ou ruído branco ajudam a mascarar as explosões.
- Deixe o animal escolher onde ficar, inclusive embaixo da cama. Não o arraste para fora.
- Ofereça carinho e conforto se ele procurar você. Isso não reforça o medo.
- Distrações para quem aceita: brinquedos recheados, tapetes de lamber e petiscos.
- Guia e coleira se precisar sair ou abrir a porta, mesmo dentro de casa.
Depois: no dia seguinte
- Confira se o animal está bem, sem ferimentos, e se comeu e fez xixi normalmente.
- Verifique portões e cercas antes de soltá-lo no quintal: há fogos atrasados.
- Se ele fugiu, procure imediatamente pela vizinhança, avise nas redes sociais e em grupos locais, e contate clínicas e abrigos da região.
- Anote como foi a reação. Isso ajuda a planejar a próxima festa com o veterinário.
Tratamento a longo prazo
Sem tratamento, o medo de barulhos costuma piorar com o tempo e se estender a trovões, rojões em jogos e outros sons.
Dessensibilização e contracondicionamento
É o tratamento de base, feito fora da época de festas:
- Use gravações de fogos em volume tão baixo que o animal não reaja.
- Enquanto o som toca, ofereça algo muito bom: petiscos especiais, brincadeira, comida.
- Aumente o volume muito aos poucos, ao longo de semanas, sempre abaixo do limite do medo.
- Se o animal mostrar medo, volte ao volume anterior.
O objetivo é que o som passe a anunciar coisas boas. Em um levantamento com mais de 1.200 tutores, associar os fogos a comida e brincadeira foi uma das abordagens mais bem avaliadas, com cerca de 7 em cada 10 relatando melhora.
Medicação
Em cães com medo intenso, o veterinário pode prescrever:
- medicamentos para situações pontuais, usados antes e durante o evento, para reduzir o medo sem apenas sedar;
- medicação contínua, em casos de ansiedade generalizada ou medo de vários sons, junto com o treino.
A escolha depende da saúde do animal, de outros remédios e da intensidade do medo. Por isso a consulta deve ser feita com antecedência, e não na véspera.
Gatos, aves e outros pets
- Gatos: mantenha janelas e telas fechadas, ofereça esconderijos altos e baixos, deixe comida, água e caixa de areia perto do esconderijo e não force contato. Produtos com feromônio felino podem ajudar alguns gatos.
- Aves: cubra parcialmente a gaiola e leve-a para um cômodo interno, longe de janelas.
- Coelhos e porquinhos-da-índia: também se assustam muito. Leve a gaiola para dentro e ofereça esconderijos.
Mitos e verdades
- "Consolar reforça o medo." Mito. Presença calma ajuda.
- "Ele precisa se acostumar enfrentando os fogos." Mito. Exposição forçada costuma piorar o medo.
- "Cão de quintal está acostumado." Muitos sofrem em silêncio ou fogem.
- "Qualquer calmante resolve." Alguns sedativos apenas imobilizam, sem tirar o medo, e remédios humanos podem ser tóxicos.
- "Só cachorro tem medo." Gatos, aves e outros pets também sofrem.
Comportamento na Bichos & Cia, em Ubá
Se o seu pet tem medo de fogos ou de trovões, agende uma consulta com antecedência às festas de fim de ano. Avaliamos a saúde geral, orientamos o plano de preparação e, quando indicado, prescrevemos a medicação adequada. Conheça nossas consultas e a consulta para gatos. No Pet Shop você encontra difusores de feromônio e suplementos calmantes, sempre com orientação da equipe.
Referências
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- Riemer S. Effectiveness of treatments for firework fears in dogs. Journal of Veterinary Behavior. 2020;37:61-70.
- Sherman BL, Mills DS. Canine anxieties and phobias: an update on separation anxiety and noise aversions. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice. 2008;38(5):1081-1106.
- Korpivaara M, Laapas K, Huhtinen M, Schöning B, Overall K. Dexmedetomidine oromucosal gel for noise-associated acute anxiety and fear in dogs: a randomised, double-blind, placebo-controlled clinical study. Veterinary Record. 2017;180(14):356.
- Overall KL. Manual of Clinical Behavioral Medicine for Dogs and Cats. St. Louis: Elsevier Mosby; 2013.




