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Reprodução e castração

Piometra em cadelas e gatas: sintomas, riscos, cirurgia e prevenção

Sua cadela não castrada está bebendo muita água, abatida ou com secreção semanas depois do cio? Pode ser piometra, uma infecção grave do útero. Entenda por que acontece, os sinais, a diferença entre aberta e fechada e por que não dá para esperar.

Piometra em cadelas e gatas: sintomas, riscos, cirurgia e prevenção
Neste artigo 11 tópicos
  1. Por que acontece
  2. Aberta ou fechada: a diferença que muda a urgência
  3. Sinais de alerta
  4. Complicações
  5. Como é o diagnóstico
  6. Tratamento
  7. Recuperação em casa
  8. E nas gatas?
  9. Mitos e verdades
  10. Prevenção
  11. Emergências e cirurgias na Bichos & Cia, em Ubá

Piometra é o acúmulo de pus dentro do útero. Acontece em cadelas e gatas não castradas e é uma das emergências mais comuns na clínica: a infecção pode se espalhar pelo corpo, afetar os rins e, se o útero romper, causar peritonite.

Ela é muito mais frequente do que a maioria dos tutores imagina. Um grande estudo com cadelas seguradas na Suécia mostrou que cerca de uma em cada quatro cadelas não castradas desenvolve piometra até os 10 anos, e em algumas raças o número passa da metade.

Por que acontece

Depois de cada cio, o corpo da cadela passa cerca de dois meses sob efeito da progesterona, o hormônio que prepara o útero para uma gestação. A cada ciclo, o revestimento do útero fica mais espesso e produz mais secreção, enquanto as defesas locais diminuem. Com o passar dos anos, surgem cistos na parede do útero (hiperplasia endometrial cística). Bactérias que sobem pela vagina, principalmente a Escherichia coli, encontram ali o ambiente ideal para se multiplicar.

Por isso a piometra costuma aparecer:

  • em fêmeas adultas e idosas, embora possa ocorrer em jovens;
  • de algumas semanas até cerca de 4 meses depois do cio;
  • com mais frequência em fêmeas que receberam anticoncepcional injetável (progestágeno) para evitar cio.
Útero normal comparado a útero com piometra aberta e fechada
Na piometra fechada o colo do útero não deixa o pus sair, e o útero pode se distender muito.

Quem tem mais risco

FatorPor quê
Idade acima de 5 a 6 anosMais ciclos de progesterona acumulados no útero
Uso de injeção anticioO progestágeno imita a fase de maior risco do ciclo
Nunca ter tido filhotesAssociado a risco maior em alguns estudos
Raças como Rottweiler, Golden Retriever, Cavalier King Charles Spaniel, Collie e BerneseMaior incidência nos grandes levantamentos
Tratamentos hormonais para interromper gestaçãoPodem favorecer infecção uterina

Aberta ou fechada: a diferença que muda a urgência

  • Piometra aberta: o colo do útero está aberto e sai secreção pela vulva, que pode ser amarelada, esverdeada, marrom ou com sangue, em geral com mau cheiro. A secreção ajuda o tutor a perceber o problema mais cedo.
  • Piometra fechada: o colo está fechado e o pus fica preso. Não há secreção, a barriga pode aumentar e a fêmea piora rapidamente. É a forma mais perigosa.

Secreção normal ou preocupante?

NormalPreocupante
Sangramento claro durante o cioSecreção semanas ou meses depois do cio
Sem cheiro forteCheiro forte ou de podre
Cadela ativa e comendoApatia, falta de apetite, febre
Pouca quantidade, que someSecreção amarela, verde, marrom ou persistente

Sinais de alerta

Sinais iniciaisSinais de gravidade
Bebe muita água e faz muito xixiVômitos repetidos
Um pouco quieta, come menosFraqueza, dificuldade para levantar
Lambe a região da vulvaBarriga aumentada e dolorida
Secreção pela vulvaGengivas pálidas ou muito vermelhas, respiração rápida
Febre leveTemperatura baixa, extremidades frias, colapso

A sede exagerada tem explicação: as toxinas da E. coli atrapalham a capacidade dos rins de concentrar a urina. A cadela urina mais e bebe mais para compensar.

Complicações

  • Infecção generalizada (sepse): em estudos, mais da metade das cadelas com piometra já chegou ao atendimento com sinais de inflamação generalizada.
  • Lesão nos rins, que pode persistir mesmo após a cirurgia e precisa de acompanhamento.
  • Ruptura do útero e peritonite, principalmente na forma fechada.
  • Alterações na coagulação e no coração nos casos mais graves.

Quanto mais cedo a cirurgia, menor a chance dessas complicações.

Como é o diagnóstico

  1. Histórico: data do último cio, uso de injeções anticoncepcionais, início dos sinais.
  2. Exame físico: temperatura, hidratação, dor abdominal, presença de secreção.
  3. Ultrassonografia abdominal: é o exame mais útil. Mostra o útero aumentado e cheio de líquido e ajuda a diferenciar de gestação e de outras doenças.
  4. Exames de sangue: avaliam a infecção e, principalmente, rins e fígado, fundamentais para planejar a anestesia com segurança. Exame de urina também pode ser indicado.

Tratamento

Cirurgia: o tratamento de escolha

O tratamento mais seguro e definitivo é a retirada do útero e dos ovários (ovariohisterectomia). Antes da cirurgia, a paciente recebe fluidoterapia, antibióticos e medicamentos para estabilizar a pressão e a dor. O procedimento é mais delicado do que uma castração eletiva, porque o útero está inflamado, frágil e às vezes muito grande.

A maioria das fêmeas operadas a tempo se recupera bem, com internação curta e acompanhamento dos rins nos dias seguintes. O risco aumenta quando há sepse, peritonite ou demora no atendimento.

Tratamento com medicamentos: exceção

Em casos selecionados, como fêmeas jovens, estáveis, com piometra aberta e valor reprodutivo, pode-se tentar um tratamento com medicamentos que esvaziam o útero. Ele exige monitoração próxima, não serve para a piometra fechada e a doença pode voltar nos próximos cios. A decisão é sempre individual.

Recuperação em casa

  • Medicação nos horários certos, até o fim, inclusive o antibiótico.
  • Colar elizabetano ou roupa cirúrgica o tempo todo, por 10 a 14 dias.
  • Repouso, sem pulos e sem brincadeiras brutas.
  • Alimentação leve e palatável nos primeiros dias, conforme orientação. Dietas de recuperação ajudam fêmeas que comem pouco.
  • Retorno e exames de controle dos rins, quando indicados.

E nas gatas?

A piometra é menos comum em gatas, em parte porque elas só ovulam após o acasalamento ou estímulo semelhante. Mas acontece, e os sinais tendem a ser discretos: a gata fica quieta, come menos, a barriga cresce e às vezes aparece secreção, que ela costuma limpar lambendo. Gatas que receberam injeção para evitar cio têm risco maior.

Mitos e verdades

  • "Se não tem secreção, não é piometra." Mito. A forma fechada não tem secreção e é a mais grave.
  • "É só dar antibiótico que passa." Mito. O pus continua no útero.
  • "Cadela velha não pode operar." Na piometra, a cirurgia costuma ser justamente o que salva a vida. A equipe estabiliza e monitora a paciente.
  • "A injeção anticio é mais segura que a castração." Mito. A injeção aumenta o risco de piometra e de tumores de mama.
  • "Piometra só dá em cadela velha." Mais comum em adultas e idosas, mas pode ocorrer em jovens.

Prevenção

  • Castração, que elimina o útero e os ovários e, com eles, o risco de piometra. Veja o guia de castração para entender a melhor idade.
  • Nunca use anticoncepcional injetável para evitar cio em cadelas e gatas.
  • Anote as datas dos cios. Se sua fêmea não é castrada, fique atenta aos 4 meses seguintes a cada cio.
  • Faça check-up anual, com atenção especial às fêmeas inteiras acima de 5 anos. Aproveite para o exame das mamas: veja o guia de câncer de mama em cadelas e gatas.

Emergências e cirurgias na Bichos & Cia, em Ubá

Na suspeita de piometra, entre em contato imediatamente. A equipe da Bichos & Cia orienta a chegada, faz a avaliação, a ultrassonografia e os exames de sangue e organiza a estabilização, a cirurgia e a internação quando necessária. Saiba mais sobre urgências veterinárias e cirurgias veterinárias. Atendemos Ubá e cidades vizinhas.

Referências

  • Hagman R. Pyometra in small animals. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice. 2018;48(4):639-661. doi:10.1016/j.cvsm.2018.03.001
  • Hagman R. Pyometra in small animals 2.0. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice. 2022;52(3):631-657. PubMed
  • Egenvall A, Hagman R, Bonnett BN, Hedhammar A, Olson P, Lagerstedt AS. Breed risk of pyometra in insured dogs in Sweden. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2001;15(6):530-538.
  • Jitpean S, Hagman R, Ström Holst B, et al. Breed variations in the incidence of pyometra and mammary tumours in Swedish dogs. Reproduction in Domestic Animals. 2012;47(Suppl 6):347-350.
  • Fransson BA, Lagerstedt AS, Bergström A, et al. C-reactive protein, tumor necrosis factor alpha, and interleukin-6 in dogs with pyometra and SIRS. Journal of Veterinary Emergency and Critical Care. 2007;17(4):373-381.
  • Fieni F, Topie E, Gogny A. Medical treatment for pyometra in dogs. Reproduction in Domestic Animals. 2014;49(Suppl 2):28-32.
  • Romagnoli S, Krekeler N, de Cramer K, et al. WSAVA guidelines for the control of reproduction in dogs and cats. Journal of Small Animal Practice. 2024;65(7):424-559.
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Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre este assunto.

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Quanto tempo depois do cio a piometra aparece?

Na maioria dos casos, de algumas semanas a cerca de 4 meses depois do cio, na fase em que o hormônio progesterona está alto.

Piometra tem cura com remédio?

O tratamento mais seguro e definitivo é a cirurgia de retirada do útero e dos ovários, depois de estabilizar a paciente. O tratamento só com medicamentos é reservado a casos selecionados de piometra aberta, em fêmeas jovens e estáveis, e a doença pode voltar nos cios seguintes.

Piometra fechada é pior?

Sim. Sem secreção, o pus fica preso no útero, o diagnóstico demora e há risco de ruptura e infecção generalizada. É uma emergência.

Por que a cadela com piometra bebe tanta água?

As toxinas das bactérias atrapalham a capacidade dos rins de concentrar a urina. A cadela urina mais e, para compensar, bebe mais. É um dos sinais mais precoces.

Antibiótico resolve?

Não. Pode melhorar os sinais por alguns dias, mas o pus continua dentro do útero e a doença volta, muitas vezes mais grave.

Gata também tem piometra?

Tem, embora seja menos comum do que em cadelas. Os sinais costumam ser discretos: apatia, falta de apetite, barriga aumentada e, às vezes, secreção.

Cadela castrada pode ter piometra?

É raro, mas pode ocorrer a chamada piometra de coto, quando sobra tecido de ovário que continua produzindo hormônios. Secreção vaginal em cadela castrada também merece avaliação.

A cirurgia de piometra é a mesma coisa que castração?

A técnica é parecida, mas a situação é outra: o útero está doente, frágil e às vezes muito grande, e a paciente pode estar com infecção generalizada. Por isso exige estabilização, monitoração e, muitas vezes, internação.

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