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Piometra é o acúmulo de pus dentro do útero. Acontece em cadelas e gatas não castradas e é uma das emergências mais comuns na clínica: a infecção pode se espalhar pelo corpo, afetar os rins e, se o útero romper, causar peritonite.
Ela é muito mais frequente do que a maioria dos tutores imagina. Um grande estudo com cadelas seguradas na Suécia mostrou que cerca de uma em cada quatro cadelas não castradas desenvolve piometra até os 10 anos, e em algumas raças o número passa da metade.
Por que acontece
Depois de cada cio, o corpo da cadela passa cerca de dois meses sob efeito da progesterona, o hormônio que prepara o útero para uma gestação. A cada ciclo, o revestimento do útero fica mais espesso e produz mais secreção, enquanto as defesas locais diminuem. Com o passar dos anos, surgem cistos na parede do útero (hiperplasia endometrial cística). Bactérias que sobem pela vagina, principalmente a Escherichia coli, encontram ali o ambiente ideal para se multiplicar.
Por isso a piometra costuma aparecer:
- em fêmeas adultas e idosas, embora possa ocorrer em jovens;
- de algumas semanas até cerca de 4 meses depois do cio;
- com mais frequência em fêmeas que receberam anticoncepcional injetável (progestágeno) para evitar cio.
Quem tem mais risco
| Fator | Por quê |
|---|---|
| Idade acima de 5 a 6 anos | Mais ciclos de progesterona acumulados no útero |
| Uso de injeção anticio | O progestágeno imita a fase de maior risco do ciclo |
| Nunca ter tido filhotes | Associado a risco maior em alguns estudos |
| Raças como Rottweiler, Golden Retriever, Cavalier King Charles Spaniel, Collie e Bernese | Maior incidência nos grandes levantamentos |
| Tratamentos hormonais para interromper gestação | Podem favorecer infecção uterina |
Aberta ou fechada: a diferença que muda a urgência
- Piometra aberta: o colo do útero está aberto e sai secreção pela vulva, que pode ser amarelada, esverdeada, marrom ou com sangue, em geral com mau cheiro. A secreção ajuda o tutor a perceber o problema mais cedo.
- Piometra fechada: o colo está fechado e o pus fica preso. Não há secreção, a barriga pode aumentar e a fêmea piora rapidamente. É a forma mais perigosa.
Secreção normal ou preocupante?
| Normal | Preocupante |
|---|---|
| Sangramento claro durante o cio | Secreção semanas ou meses depois do cio |
| Sem cheiro forte | Cheiro forte ou de podre |
| Cadela ativa e comendo | Apatia, falta de apetite, febre |
| Pouca quantidade, que some | Secreção amarela, verde, marrom ou persistente |
Sinais de alerta
| Sinais iniciais | Sinais de gravidade |
|---|---|
| Bebe muita água e faz muito xixi | Vômitos repetidos |
| Um pouco quieta, come menos | Fraqueza, dificuldade para levantar |
| Lambe a região da vulva | Barriga aumentada e dolorida |
| Secreção pela vulva | Gengivas pálidas ou muito vermelhas, respiração rápida |
| Febre leve | Temperatura baixa, extremidades frias, colapso |
A sede exagerada tem explicação: as toxinas da E. coli atrapalham a capacidade dos rins de concentrar a urina. A cadela urina mais e bebe mais para compensar.
Complicações
- Infecção generalizada (sepse): em estudos, mais da metade das cadelas com piometra já chegou ao atendimento com sinais de inflamação generalizada.
- Lesão nos rins, que pode persistir mesmo após a cirurgia e precisa de acompanhamento.
- Ruptura do útero e peritonite, principalmente na forma fechada.
- Alterações na coagulação e no coração nos casos mais graves.
Quanto mais cedo a cirurgia, menor a chance dessas complicações.
Como é o diagnóstico
- Histórico: data do último cio, uso de injeções anticoncepcionais, início dos sinais.
- Exame físico: temperatura, hidratação, dor abdominal, presença de secreção.
- Ultrassonografia abdominal: é o exame mais útil. Mostra o útero aumentado e cheio de líquido e ajuda a diferenciar de gestação e de outras doenças.
- Exames de sangue: avaliam a infecção e, principalmente, rins e fígado, fundamentais para planejar a anestesia com segurança. Exame de urina também pode ser indicado.
Tratamento
Cirurgia: o tratamento de escolha
O tratamento mais seguro e definitivo é a retirada do útero e dos ovários (ovariohisterectomia). Antes da cirurgia, a paciente recebe fluidoterapia, antibióticos e medicamentos para estabilizar a pressão e a dor. O procedimento é mais delicado do que uma castração eletiva, porque o útero está inflamado, frágil e às vezes muito grande.
A maioria das fêmeas operadas a tempo se recupera bem, com internação curta e acompanhamento dos rins nos dias seguintes. O risco aumenta quando há sepse, peritonite ou demora no atendimento.
Tratamento com medicamentos: exceção
Em casos selecionados, como fêmeas jovens, estáveis, com piometra aberta e valor reprodutivo, pode-se tentar um tratamento com medicamentos que esvaziam o útero. Ele exige monitoração próxima, não serve para a piometra fechada e a doença pode voltar nos próximos cios. A decisão é sempre individual.
Recuperação em casa
- Medicação nos horários certos, até o fim, inclusive o antibiótico.
- Colar elizabetano ou roupa cirúrgica o tempo todo, por 10 a 14 dias.
- Repouso, sem pulos e sem brincadeiras brutas.
- Alimentação leve e palatável nos primeiros dias, conforme orientação. Dietas de recuperação ajudam fêmeas que comem pouco.
- Retorno e exames de controle dos rins, quando indicados.
E nas gatas?
A piometra é menos comum em gatas, em parte porque elas só ovulam após o acasalamento ou estímulo semelhante. Mas acontece, e os sinais tendem a ser discretos: a gata fica quieta, come menos, a barriga cresce e às vezes aparece secreção, que ela costuma limpar lambendo. Gatas que receberam injeção para evitar cio têm risco maior.
Mitos e verdades
- "Se não tem secreção, não é piometra." Mito. A forma fechada não tem secreção e é a mais grave.
- "É só dar antibiótico que passa." Mito. O pus continua no útero.
- "Cadela velha não pode operar." Na piometra, a cirurgia costuma ser justamente o que salva a vida. A equipe estabiliza e monitora a paciente.
- "A injeção anticio é mais segura que a castração." Mito. A injeção aumenta o risco de piometra e de tumores de mama.
- "Piometra só dá em cadela velha." Mais comum em adultas e idosas, mas pode ocorrer em jovens.
Prevenção
- Castração, que elimina o útero e os ovários e, com eles, o risco de piometra. Veja o guia de castração para entender a melhor idade.
- Nunca use anticoncepcional injetável para evitar cio em cadelas e gatas.
- Anote as datas dos cios. Se sua fêmea não é castrada, fique atenta aos 4 meses seguintes a cada cio.
- Faça check-up anual, com atenção especial às fêmeas inteiras acima de 5 anos. Aproveite para o exame das mamas: veja o guia de câncer de mama em cadelas e gatas.
Emergências e cirurgias na Bichos & Cia, em Ubá
Na suspeita de piometra, entre em contato imediatamente. A equipe da Bichos & Cia orienta a chegada, faz a avaliação, a ultrassonografia e os exames de sangue e organiza a estabilização, a cirurgia e a internação quando necessária. Saiba mais sobre urgências veterinárias e cirurgias veterinárias. Atendemos Ubá e cidades vizinhas.
Referências
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